Vejo que pessoas muito bem-intencionadas, como a Patrícia, que só querem viver em um mundo melhor, com menos violência, mais respeito e amor ao próximo são usadas em ações políticas a favor do ensino religioso, sem se darem conta do perigo que é a igreja, seja ela qual for, se misturar ao estado para tentar impor uma fé. Já ouvi muitas vezes o argumento idiota "que que tem ensinar sobre Deus nas escolas? Mal não vai fazer..." Pois eu pergunto: Sobre qual Deus estamos falando? Dou nome aos bois: É a igreja católica que hoje tenta se infiltrar nas escolas. São os líderes católicos que fazem pressão para que o ensino volte a ser religioso. Lógico, muito mais fácil ensinar a porcaria que for para uma criança de 5 anos... Fazer a pessoa voltar a pensar depois de ter passado a infância inteira ouvindo ladainhas é muito, muito difícil. Senão impossível !!! Note que os argumentos usados são os mais nobres possíveis: falar de Deus nas escolas trará mais respeito, mais amor ao próximo, menos violência, etc. BULL SHEET!!! Em nome de Deus se cometeram as maiores atrocidades. Nem o PAPA nega isso !!! Portanto o argumento é RIDÍCULO!!! Mas o pior de tudo é não perceber que ao defender o próprio interesse hoje, a pessoa estará abrindo a prerrogativa para outros fazerem o mesmo contra ela própria no futuro. Não se trata do que eu ou ela ou você acreditamos. Trata-se da LIBERDADE DE QUALQUER UM ACREDITAR NO QUE QUISER. Se o ensino público incluir ensinar o pai-nosso ( como já aconteceu com meu filho) está me TIRANDO O DIREITO de ensinar a minha própria crença. E se os católicos conseguem isso hoje, amanhã, um outro grupo de pessoas pode se sentir no mesmo direito, se organizar e exigir que o ensino público NEGUE A EXISTÊNCIA DE DEUS, que Jesus era um estelionatário, etc. e ninguém vai poder falar nada. Uma confusão comum que se faz é essa. Não ensinar que Deus existe não significa ensinar QUE NÃO EXISTE. Não ensinar o pai-nosso na escola não significa ensinar que o pai-nosso é ruim ou está errado. Outra confusão comum é achar que ser contra o ensino religioso em ESCOLA PÚBLICA, significa ser contra O ENSINO RELIGIOSO. Nunca fui contra o ensino ser católico NAS ESCOLAS CATÓLICAS, porque quem estuda nelas vai por vontade própria ou dos responsáveis. Nem sei porque tanta argumentação por uma coisa tão simples: Cada um tem o direito de ter a fé que quiser, contanto que não INVADA O ESPAÇO DOS OUTROS.
sexta-feira, 6 de novembro de 2009
Aula
Cada um ensina para os filhos o que acha melhor. Eu gosto de ensinar história:
Autor: Enrico Riboni
Tradução: Cassy Besky
Fonte: Realidade
“Acreditar num deus cruel, faz um homem cruel” Thomas Paine
Prefácio
Há cerca de 2000 anos, nascia na Galiléia um fundador de seita, que acabaria crucificado uns trinta anos mais tarde. Algumas de suas últimas palavras na cruz foram “Dêem-me de beber”. E só. A seita que ele tinha fundado tornar-se-ia, com o passar dos anos, a maior de todos os tempos. Ela tomará o poder político dentro do Império Romano, abolirá a liberdade de religião, depois ajuntará montanhas de cadáveres: os seus membros massacrarão milhões de “infiéis”, “hereges”, “feiticeiras” e outros, depois se matarão entre eles próprios, levando a Europa às guerras mais ferozes que ela conheceu. Um passado destes poderia incitar à modéstia, mas os cristãos reivindicam, pelo contrário, o monopólio da ética. Proclamam que adoram o Deus único, que deus é “amor”, e se consideram melhores que o resto da humanidade.
Única ideologia capaz de dividir com o comunismo e o nazismo o pódio dedicado às ideologias mais mortíferas da história humana, o cristianismo mantém-se uma ideologia dominante em muitos países ocidentais, como o “gendarme do mundo”, os EUA. Chegou a hora de abrir o “Livro Negro do Cristianismo: 2000 anos de terror, perseguições e repressão”, que resume algumas das piores atrocidades cometidas em nome dessa ideologia que pretende promover o amor ao próximo.
Ano um
“Os deuses não estavam mais, e Deus não estava ainda”
O Império Romano garantia a liberdade de culto. O ateísmo e a razão dominavam. É nessa época que nasce um sujeito que, segundo dizem certos judeus, perdeu o juízo porque leu o Tora demasiadamente jovem. Ele funda uma seita que visa proibir o culto dos outros deuses, exceto o seu. O sujeito é finalmente morto, mas a seita se expande com o êxito que se conhece.
O culto da personalidade do fundador da seita atinge, nos cristãos, um nível que mesmo o estalinismo não conseguirá igualar: o fundador é proclamado “verdadeiro homem e verdadeiro Deus” (“Deus-Homem”, em linguagem comum). Os que duvidam disso são proclamados imediatamente hereges, e sofrerão mais tarde os raios da Inquisição. A partir do século IV da nossa era, começará o assassinato dos não-crentes pelos cristãos.
Anos 50-70
A seita cristã se desenvolve. Textos gregos, escritos por membros da seita fora da Palestina (“Os evangelhos”) relatam a vida do fundador: nascido duma virgem, que se manterá virgem mesmo tendo vários outros filhos, ele terá sarado doentes, mas também amaldiçoa uma figueira que fica instantaneamente seca, e fará precipitar num lago centenas de porcos que lhe não pertenciam (Nota 1). Este personagem, que defende os pobres mas também afirma que “aqueles que têm tudo serão louvados, e aqueles que nada têm, o pouco que têm ser-lhe-á retirado”, um pouco patético quando amaldiçoa uma figueira ou se deixa crucificar, é declarado a encarnação do “Deus único”. O fato de, segundo os evangelhos “canônicos”, as suas últimas palavras sobre a cruz terem sido “Dai-me de beber” não parece perturbar os adeptos da seita, que se expande por todo o Império.
A intolerância religiosa dos cristãos, que visam abertamente, desde o início, impor uma interdição aos cultos de deuses que não o seu, o qual eles insistem ser o “único Deus”, começa logo a atrair a atenção da justiça romana, que defende a liberdade de culto, a qual é um dos pilares dessa sociedade complexa e multicultural que é o Império Romano dos primeiros séculos da nossa era. A propaganda cristã inverte habilmente a situação. Os condenados pela justiça romana são declarados “mártires” e os seus restos são venerados nas igrejas, inventando-se a lenda de eles terem sido executados por terem “recusado a renegar a fé”, desculpa essa bem melhor do que a verdade nua, que mostra que foram condenados por desordem e imposição da intolerância religiosa na sociedade multicultural.
Ano 312
Tomada do poder pelos cristãos. No fim duma guerra civil, Constantino toma o poder. Pouco depois ele se converte oficialmente ao cristianismo, e “autoriza”, num primeiro tempo, o culto do deus único cristão, pelo Édito de Milão: é o início da perseguição religiosa na Europa. Pouco a pouco o culto dos outros deuses, exceto o deus cristão, vai sendo proibido. Os santuários clássicos serão destruídos ou transformados em igrejas cristãs. No fim do século IV, não haverá mais nenhum templo pagão em toda a bacia do Mediterrâneo.
Ano de 380
O imperador Teodósio proclama oficialmente o Cristianismo a única “Religião de Estado”. Mas ainda será necessário esperar mais 12 anos para que todos os outros cultos sejam definitivamente proibidos.
Ano de 389
Teófilo, hoje Santo Teófilo, é nomeado patriarca de Alexandria e inicia imediatamente uma violenta campanha de destruição de todos os templos e santuários não-cristãos. Tem o apoio do pio imperador Teodósio. Deve-se a Teófilo a destruição, em Alexandria, dos templos de Mitríade e de Dionísio. Essa loucura destruidora culmina em 391 com a destruição do templo de Serapis e da sua biblioteca. As pedras dos santuários destruídos serão usadas para edificar igrejas para a nova religião única, a cristã.
Em seguida e para demonstrar que ele é capaz de perseguir também cristãos (na medida em que eles não sejam 100% ortodoxos), Teófilo comanda pessoalmente as tropas que atacam e destroem os mosteiros que aderiram às idéias de Orígeno, um teólogo cristão que foi declarado herege porque afirmava que deus era puramente imaterial.
Ano de 389
Pela primeira vez, um chefe cristão dita a um imperador a política a ser seguida: Santo Ambrósio de Milão levanta-se em plena catedral e, com o sentido de caridade tão particular aos cristãos, impõe que o imperador anule a ordem que dera ao bispo de Calinicum, sobre o Eufrates, para que reconstruísse uma sinagoga que ele e a sua congregação tinham destruído. A Igreja toma partido, assim, desde o princípio, dos incendiários de sinagogas, posição que continuará a manter até ao ano de 1940.
Início dos anos 390
O piedoso imperador cristão Teodósio interdita progressivamente todos os cultos não cristãos. Pouco a pouco, os templos não-cristãos são fechados ao culto, as procissões “pagãs” são proibidas. Esta supressão da liberdade de religião em proveito exclusivo do cristianismo causa, por vezes, revoltas, como a de 408, em Calama, na Numídia. É nessa época que acontecem na Germânia as primeiras execuções de hereges, uma bela tradição que a Igreja desenvolverá com a Inquisição e a perpetuará até 1826.
Ano de 391
Uma multidão de cristãos, guiados por Santo Atanásio e Santo Teófilo, deita abaixo o templo e a enorme estátua de Serapis, em Alexandria, duas obras-primas da antiguidade. A coleção de literatura do templo também é igualmente destruída.
Ano de 412
Cirilo, hoje Santo Cirilo, doutor da Igreja, é nomeado bispo de Alexandria e sucede a seu tio Teófilo. Excita os sentimentos anti-semitas difundidos entre os cristãos da cidade e, à frente duma multidão de cristãos, incendeia as sinagogas da cidade e faz fugir os judeus. Em seguida encoraja os cristãos a tomar os bens dos fugitivos, deixados para trás.
Ano de 415
Hepatia, a última grande matemática da Escola de Alexandria, filha de Theon de Alexandria, é assassinada por uma multidão de monges cristãos, incitados por Cirilo, patriarca de Alexandria, que será depois canonizado pela Igreja. O motivo dessa ação foi que a brilhante professora de matemática representava uma ameaça para a difusão do cristianismo pela sua defesa da Ciência e do Neoplatonismo. O fato de ela ser mulher, muito bela e carismática, fazia a sua existência ainda mais intolerável aos olhos dos cristãos. A sua morte marcou uma reviravolta: após o seu assassinato, numerosos pesquisadores e filósofos trocaram Alexandria pela Índia e pela Pérsia, e Alexandria deixou de ser o grande centro de ensino das ciências do Mundo Antigo. Além do mais, a Ciência retrocederá no Ocidente e não atingirá de novo um nível comparável ao da Alexandria antiga senão no início da Revolução Industrial. Os trabalhos da Escola de Alexandria sobre matemática, física e astronomia serão preservados, em parte, pelos árabes, persas, indianos e também chineses. O Ocidente, por outro lado, mergulha no obscurantismo, do qual começará a sair mais de um milênio depois. Em reconhecimento pelos seus méritos de perseguidor da comunidade científica e dos judeus de Alexandria, Cirilo será canonizado e promovido a “Doutor da Igreja”, em 1882.
Séculos V a XV
A “Idade Média Cristã”. Aproveitando o desaparecimento das grandes bibliotecas romanas e na ausência quase total da atividade editorial na Europa, a Igreja obtém, de fato, um monopólio sobre o conjunto da escrita e da informação. O povo é deixado propositadamente na ignorância, a leitura da Bíblia é desencorajada mesmo no caso de se ter acesso a um exemplar. Pouco a pouco, a Igreja impõe o seu domínio sobre a sociedade. A inquisição, o celibato dos padres (Nota 2), o caráter obrigatório do casamento antes de qualquer relação sexual, são todas instituições que datam dessa época. É também nessa época que se desenvolve o que se tornará uma das mais ricas tradições cristãs: queimar pessoas vivas. Cerca de um milhão de “bruxos” serão torrados durante a Idade Média. As cidades concorrerão para tentar bater recordes de quantidade de bruxos queimados por ano. O recorde foi estabelecido pela cidade de Bamberg, sede do episcopado, que conseguiu assar 600 feiticeiros num só ano.
Um grande número de membros da Igreja atual ainda lamenta o fim dessa época, quando a Igreja dominava totalmente a vida social. Religiosos (e outros) cristãos lembram com saudade a “espiritualidade” da época, a arte que deu grande ênfase à morte – assunto que sempre apaixonou os cristãos, e a música envolvente.
Ano de 804
O imperador cristão Carlos Magno converte grande número de saxões, propondo-lhes a seguinte escolha: converter-se ao catolicismo ou serem decapitados. Vários milhares de cabeças caem, com a bênção da Igreja: os sacerdotes presentes participam da jogada do imperador.
Século IX
Cisma do Oriente. O patriarca de Constantinopla pretende que se deve utilizar o pão com levedura para a Eucaristia. O Papa, bispo de Roma, afirma que se deve usar pão sem levedura. Com base neste problema de capital importância, a cristandade se divide, e os dois patriarcas, de Roma e de Constantinopla, se excomungam mutuamente. O Cisma vai provocar mortes até aos anos 90 (guerras nos Balcãs, ex-Iugoslávia, de católicos contra ortodoxos).
Ano de 1182
Os “pogroms” latinos de Constantinopla. Na cidade do piedoso patriarca que come pão levedado, estabeleceu-se, desde o início de século XII, uma colônia de mercadores “latinos”, essencialmente originários de Veneza, Gênova, Pisa e Amalfi. Mas essas pessoas têm tudo para desagradar aos prelados ortodoxos: além de utilizarem o pão sem levedura para a Eucaristia, fazem o sinal da cruz no sentido errado, da esquerda para a direita e não da direita para a esquerda! Os popes excitam a população e enfim, nos dias radiosos de maio de 1182, a multidão guiada pelos popes pega os latinos: vários milhares deles, homens, mulheres e crianças são trucidados.
Séculos XI e XII
Em face do crescimento da população da Europa, a Igreja propõe um método de controle populacional “natural”: as cruzadas. O apelo às cruzadas foi lançado em 1095. Em 1099 Jerusalém é “libertada”: logo que as tropas cruzadas entraram na cidade, o governador muçulmano rendeu-se sob a promessa da população civil ser poupada. Claro, a totalidade da população (que compreende essencialmente judeus e muçulmanos) é passada pelas armas nas horas seguintes, mas com o cuidado de antes violentar todas a mulheres e decapitar as crianças. Estima-se em 70.000 o número de civis massacrados. A última fase do massacre passa-se nas sinagogas e mesquitas da cidade, onde os habitantes aterrorizados se refugiaram: pensam que o caráter religioso dos locais possa inspirar os piedosos cruzados à clemência. Nada disso acontece: os cruzados entram e transformam os locais de culto em vastas carnificinas. O massacre de milhares de civis amontoados na grande mesquita da esplanada do templo dura várias horas. “Tudo o que respira” na cidade foi morto, informam com orgulho os comandantes dos cruzados.
Ano de 1204
A 4a Cruzada fez uma parada em Constantinopla, na época a maior cidade cristã. Mas os cristãos sabem fazer entre eles o que fazem aos outros: durante três dias, Constantinopla foi posta a saque, com uma orgia de violências indescritíveis.
Anos de 1208 a 1244
Cruzada dos Albigences: por iniciativa do papa Inocêncio III, uma cruzada é preparada. Em 1209, como alguns “hereges” se haviam misturado com a população de Beziers, o duque Simon de Monfort deu uma ordem que lhe assegurou a posteridade: “Matem-nos todos, deus reconhecerá os seus”. Toda a população, homens, mulheres e crianças são passados pelas armas. A Provence e a região de Toulouse ficam muito despovoadas após essa guerra que é dirigida contra a população civil, com uma ferocidade sem precedentes desde as invasões bárbaras.
Anos de 1226 a 1270
Luís IX, rei de França. Finalmente um católico, de reputação piedosa e íntegra, ascende à coroa de França. A Igreja o canoniza em 1290, em reconhecimento de seus méritos que, ninguém duvida serem excepcionais. De fato, durante o seu reinado, São Luís lança duas cruzadas, que terminam as duas de modo catastrófico: pouco importa, é a intenção (de matar e de pilhar) que conta, aos olhos da misericordiosa Igreja católica! No plano interno, São Luís (Nota 3) faz de modo que a justiça puna de modo sistemático os blasfemeadores: são postos nos pelourinhos e têm as suas línguas atravessadas por ferros em brasa.
Ano de 1231
Fundação da Inquisição. O Santo Ofício, durante toda a sua história, queimou mais de um milhão de pessoas, essencialmente hereges, judeus e muçulmanos convertidos e também os “bruxos”. A última feiticeira será queimada em 1788. O último “herege” chegará à sua vez em 1826. A inquisição e os seus imitadores protestantes queimam também médicos e cientistas, desde que haja uma oportunidade.
A Igreja nunca se arrependeu dos atos da Inquisição e até garantiu a continuidade histórica da instituição até aos nossos dias, limitando-se apenas a mudar-lhe o nome: será necessário esperar que Pio X, em 1906, faça que o “Santo Ofício da Inquisição” seja renomeado como “Santo Ofício”, e em 1965, para que seja rebatizado como “Congregação para a doutrina da fé”. Enfim, em 1997, o papa abre os arquivos do Santo Ofício, e historiadores escolhidos a dedo são autorizados a fazer pesquisas. As estimativas do número total de vítimas da inquisição são então revistas para cima, havendo um consenso que roda hoje em torno de um milhão de pessoas executadas, ao qual é necessário acrescentar as inúmeras pessoas torturadas e com todos os seus bens apreendidos.
Ano de 1251
O papa Inocêncio IV autoriza enfim a inquisição a praticar a tortura. A obtenção das confissões de culpa é grandemente facilitada. A inquisição pode aplicar, com base em confissões arrancadas através de tortura, penas indo duma simples oração ou dum jejum até à confiscação dos bens e mesmo prisão perpétua. Mas ela não pode condenar à morte. Com a subtileza característica da Igreja católica, a inquisição podia “passar” um herege para a justiça comum, que o levará à morte na fogueira, com base na confissão obtida pela Igreja, mesmo com tortura. Essa subtilidade permitirá à Igreja afirmar que ela nunca matou ninguém...
Anos 1347 a 1354
Em toda a Europa reina a Morte Negra, a primeira grande epidemia de peste no continente. Os prelados católicos logo descobriram os culpados: os judeus teriam envenenado os poços de água. Esse boato espalha-se por toda a Europa e inúmeros “pogroms” acontecem. Na Alemanha contam-se 350 comunidades judias totalmente destruídas pelos “pogroms” nesse período. Na Itália, em Milão, as autoridades civis e eclesiásticas, depois de terem executado no braseiro os “untori” judeus, inauguraram uma coluna comemorativa para lembrar o seu feito. Essa coluna passou à História com o nome de “Coluna infame”, quando, no século XIX, o romancista Manzoni teve, em primeira mão, a coragem de denunciar esse monumento à perversão religiosa.
Ano de 1483
Tomás de Torquemada é nomeado Grande Inquisidor de Castela. Esse monge dominicano (Nota 4) faz uma ampla utilização da tortura e da confiscação dos bens das vítimas. Estima-se em 20.000 o número de pessoas queimadas durante o seu mandato.
Ano de 1487
Dois monges dominicanos alemães, Jacob Sprenger e Heinrich Institoris publicam o “Malleus Malleficarum”: trata-se dum espesso volume de 400 páginas que é um guia (claro que aprovado pela hierarquia católica) de caça às bruxas. Lá se pode aprender a identificá-las (p. ex. se uma mulher acariciar um gato preto e a centenas de metros alguém se sentir mal, etc), a torturá-las para as fazer confessar, e como os inquisidores podem se absolver mutuamente, depois duma sessão de tortura. A obra afirma também que negar a existência da feitiçaria é uma heresia muito grave, passível de morte na fogueira. Durante dois séculos e meio, na Alemanha, depois da publicação do Malleus Malleficarum, negar a bruxaria podia levar ao braseiro. O manual foi um “best-seller”...
Ano de 1492
O rei “muito católico” e a rainha “muito católica” (títulos dados pelo papa em pessoa!) de Espanha, expulsam os judeus. Eles podem escolher se converter, para então poderem ser justiçados pela inquisição (que queimará grande número deles) ou partir. Mais de 160.000 judeus saíram da Espanha. A hierarquia católica não fica indiferente a essa medida duma crueldade assustadora: ela aprova a medida, e o papa encoraja os outros soberanos europeus a se inspirarem no exemplo espanhol. Em toda a Europa os padres católicos se mobilizam para obrigar os governos a proibir a entrada dos judeus expulsos.
Os judeus que escolheram se converter são perseguidos pela inquisição com uma impressionante determinação: até ao século XVIII, far-se-á o “Teste da banha de porco” aos judeus convertidos e seus descendentes: uma salada com pedaços de carne e banha de porco é apresentada ao “convertido”. Se for notado que ele não comeu a carne suína, será queimado como “falso convertido”. Esse método será também aplicado aos muçulmanos e seus descendentes.
Se a expulsão dos judeus de Espanha foi a maior do gênero registrada na História, não foi a primeira. Na França, os prelados católicos tinham já conseguido a expulsão dos judeus em 1306, e que foi logo revogada, antes de ser confirmada em 1394. A Inglaterra já tinha procedido à expulsão em 1290. Em 1496, Portugal imita o seu poderoso vizinho, expulsando também os judeus.
Ano de 1493
O primeiro índio da América no paraíso. Quando Cristóvão Colombo, que teve o cuidado de levar um monge nas bagagens, chega à América, encontra os índios que descreverá como gente amigável e solícita. Prende 12 deles e os leva para Espanha. À chegada, um deles fica doente: antes da sua morte, é batizado rapidamente, o que permite a corte dos muito católicos reis exultar, porque um indígena do Novo Mundo acabava de entrar no paraíso cristão. Esta triste história marcará o início da trágica cristianização dos índios americanos, onde os episódios dos redutos do Paraguai e as perseguições aos índios Pueblo serão alguns dos mais trágicos.
Ano de 1499
Acontece neste ano o maior “auto da fé” que a História registra. Em um só auto de fé, o inquisidor Diego Rodrigues Lucero queima vivos nada menos que 107 judeus convertidos ao cristianismo, em Córdova.
Século XVI
O drama dos castrados. A Igreja, que tinha proibido que mulheres cantassem no coral das igrejas, enfrenta um problema trágico: como não torturar os ouvidos dos piedosos prelados de cristo, privando-os das vozes sopranas, tão importantes nos coros para louvar o amor a deus? Uma solução bárbara é encontrada: castrar jovens meninos cuja voz tenha sido considerada bela. Nos corais da Santa Igreja católica não faltarão assim nunca os sopranos e contraltos...
Esta prática bárbara só terminará em 1878, por ordem do Papa Leão XIII. Mas é mantida ainda durante o século XIX, a ponto de Rossini, quando ele compôs a “Pequena missa solene”; escreveu, com naturalidade, que serão suficientes para executá-la “um piano e uma dúzia de cantores dos três sexos, homens, mulheres e castrados”.
Ano de 1506
“Pogrom” de Lisboa: 3000 judeus são trucidados pelos piedosos católicos, incitados pelos prelados.
Século XVI
Júlio II della Rovere, papa. Hábil chefe militar, veste uma armadura durante a missa, quando um monge insolente lhe diz que o traje não é conveniente. “Quando se trata de conquistar terras, deus não faz questão do traje, mas da fé do seu servidor”, lhe responde, passando assim à História. Deus lhe permitiu, de fato, conquistar a cidade de Bolonha, que foi, como deveria, posta a saque.
Ano de 1521
Inspirado pelo Espírito Santo, que aparentemente não tinha o que fazer, um monge alemão, Martin Luther, traduz do latim o “Novo Testamento”, em algumas semanas. O diabo acaba de o tentar: Lutero não encontra coisa melhor a fazer do que lançar sobre ele um tinteiro, que suja a parede. Essa mancha está religiosamente preservada para os turistas do castelo de Wartburg.
O acontecimento pareceria insignificante. Mas não é, pois ele inaugura o maior cisma da cristandade: durante os séculos seguintes, os cristãos vão se massacrar mutuamente ainda com mais entusiasmo do que quando eles matavam e queimavam os não-cristãos, os hereges, as bruxas, os judeus e muçulmanos convertidos, etc.
Lutero escreverá e dirá diversas vezes que era necessário queimar as sinagogas e escorraçar os judeus das cidades: ele se situa assim dentro da tradição dos pais da Igreja católica, e que será mantida até ao século XIX pela inquisição e depois no século XX pelos camisas castanhas (seguidores de Mussolini).
Ano de 1527
Saque de Roma. Os soldados protestantes massacram a totalidade da população de Roma, umas 40.000 almas, e pilham a cidade. O papa é salvo pelos guardas suíços. Ele se fecha com eles no Castelo de Santo Ângelo, enquanto a população é massacrada. Ele passou um grande medo. Os suíços ganham assim uma fama profissional no estrangeiro, o que se perpetua até hoje.
Ano de 1553
Calvino, que condena os excessos da Igreja Católica, faz decapitar o livre-pensador e médico Michel Servet, que havia descoberto a circulação sanguínea. Esse é somente um dos 15 hereges que o reformador fez executar durante a sua ditadura sobre Genebra.
Calvino tem um papel muito ativo na prisão e depois na condenação à morte de Michel Servet. Primeiro ele troca correspondência com ele e depois que o médico, fugindo da inquisição, chega a Genebra, manda-o prender. Calvino havia dito a seu amigo, o reformador Farel, que se Servet entrasse em Genebra, de lá não sairia vivo. Ele manteve a sua promessa e interveio pessoalmente no julgamento pedindo a sua execução. A única clemência dada a Servet foi de ser decapitado em vez de queimado vivo.
Ano de 1571
A invenção da imprensa permite que um número crescente de pessoas se informe. A Igreja reage criando o Índex (Index Additus Librorum Prohibitorum): essa instituição editava regularmente a lista dos livros proibidos. A última edição do Índex foi publicada em 1961.
Anos de 1566 a 1572
Pio V, papa. Este santo da Igreja católica vangloria-se publicamente diversas vezes de ter, durante a sua carreira de inquisidor, colocado fogo com suas próprias mãos em mais de 100 fogueiras de hereges que ele mesmo acusara, confundira e condenara.
Publica também uma nova edição do catecismo oficial da Igreja, no qual o amor ao próximo e a misericórdia ocupam um lugar importante.
Anos de 1547 a 1593
Guerras de religião na França. As subseitas cristãs entregam-se a uma guerra civil sem perdão, interrompida por diversas pazes e tréguas temporárias. Durante uma delas, teve lugar o massacre de 20.000 protestantes, homens, mulheres e crianças, numa só noite, a tristemente célebre Noite de S. Bartolomeu (1572).
Fim do século XVI até ao início do século XVIII
Conversão forçada dos índios Pueblo. Subindo pela costa do golfo do México, os exploradores espanhóis, sempre acompanhados de monges e padres, entram em contato com a tribo dos Pueblo, no território que hoje pertence ao estado americano do Novo México: diferentes dos índios nômades das planícies do Norte e doutros indígenas mais combativos que os espanhóis encontraram no México e na América do Sul, os índios Pueblo vivem em aldeias (los pueblos) de casas de tijolos com 2 ou 3 andares, são pacíficos e praticam a agricultura. Seguem uma religião na qual se venera o “Pai do Céu” e a “Terra Mãe”, temem os demônios (os Skinnwalkers) que andam pela crista das montanhas ao pôr do sol, veneram os corvos como reencarnação dos seus antepassados. Eles têm também um rico templo de deuses semelhantes aos dos gregos, sendo o seu deus principal a mulher-aranha. As cerimônias são celebradas em pequenas igrejas familiares, as Kivas. Estes pacíficos agricultores logo se tornam objeto de atenção dos padres espanhóis, impacientes por substituir o culto do Pai Céu e da Mãe Terra por aquele de cujo deus se bebe o sangue durante as cerimônias: os pajés índios são acusados de bruxaria e executados. As Kivas são destruídas pelos militares hispânicos. Os cultos religiosos tradicionais são proibidos, sob pena de mutilação. Índios surpreendidos a celebrar uma cerimônia tradicional terão um braço ou um pé cortados. Apesar disso tudo, alguns índios continuarão a fazer os seus cultos, em segredo e à noite. Os padres católicos usarão esse fato nos seus sermões e que os índios ainda hoje citam com amargura: os padres diziam que a religião dos índios era a das trevas, pois era sempre à noite, enquanto que o cristianismo era a religião da luz, pois se come a carne e se bebe o sangue do deus cristão em pleno dia. Diversas revoltas sangrentas pontuam a cristianização dos Pueblo. Essa perseguição religiosa só cessará depois da anexação do território pelos EUA, em 1847.
Ano de 1600
Giordano Bruno é queimado vivo em Roma, condenado por heresia. Ele havia ousado definir o Universo como infinito e admitido a hipótese da existência de formas de vida fora da Terra. Era demais para a Igreja. Depois de 8 anos de processo, durante os quais lhe são arrancadas confissões, sob tortura, ele é condenado à morte como “herege obstinado e ímpio”. Ele se defende tentando mostrar que as suas idéias não estão em contradição com as doutrinas cristãs, mas em vão. Ele foi queimado vivo, em público, em Roma, no Campo dei Fiori. Tiveram o cuidado de lhe cortar a língua antes de o enviar ao local da execução, para evitar todo o risco de que as suas palavras emocionassem a multidão que veio assistir ao espetáculo. O seu principal acusador, o cardeal Bellarmino, será mais tarde canonizado e, em 1930, proclamado “Doutor da Igreja”.
É interessante notar que, no caso de Galileu, a Igreja católica expressou o seu arrependimento no fim do séc. XX, com a sua reabilitação em 1992, nunca se arrependerá da execução de Bruno. Pelo contrário, ela se opôs com veemência à instalação duma estátua de Giordano Bruno, em 1889. Em 1929, o papa pediu a Mussolini para que destruísse essa estátua, antes de canonizar e depois nomear “Doutor da igreja” o cardeal Roberto Bellarmino, acusador de Giordano Bruno.
Ano de 1609
Expulsão dos mouros de Espanha. Depois da expulsão dos judeus de Espanha, a inquisição se aborrecia um pouco nesse belo país. Lança então a caça aos “morescos”, os árabes convertidos ao cristianismo. Há a suspeita de serem falsos convertidos e são executados todos os que se recusam a beber vinho ou comer carne de porco, ou que sejam limpos demais. Com efeito, o Islamismo, contrariamente ao cristianismo, prescreve lavagens periódicas. A higiene nunca foi tão perigosa como no séc. XVI em Espanha! Enfim, em 1609, temendo talvez ter deixado passar alguns falsos convertidos, a inquisição consegue do rei a expulsão dos “morescos” para o Norte da África. O número dos expulsos é mal conhecido: as estimativas variam entre 300.000 e 3.000.000. Os expulsos chegam a terras islâmicas, onde o Corão prevê a pena de morte para os que renegaram Mahomé...
Ano de 1633
Processo de Galileu. Por ter duvidado da teoria geocêntrica de Ptolomeu, (que, diga-se de passagem, não era cristão), Galileo Galilei é obrigado a retratar-se: são-lhe mostrados os instrumentos de tortura que seriam usados se ele insistisse. O processo de Galileu só foi reaberto para revisão pelo papa João Paulo II, e Galileu é reabilitado em 1992.
As suas obras já tinham sido colocadas no Índex em 1616. Passará o resto da sua vida confinado na sua casa (prisão domiciliar). Foi a sua reputação internacional de cientista que lhe evitou conseqüências mais graves.
Anos de 1618 a 1648
Guerra dos 30 anos. Os muito católicos reis de Habsbourg forçam a conversão dos seus súbditos protestantes da Boêmia, iniciando a maior guerra que o continente europeu tinha conhecido. A população da Alemanha é reduzida à metade. Numerosas cidades são devastadas. Epidemias de peste assolam toda a Europa Central, desde a Lombardia à Prússia.
Trata-se realmente duma guerra religiosa, embora as igrejas tenham tentado fazer crer que se tratava dum conflito político: a guerra iniciou-se por conflitos religiosos e pela ação de reis estrangeiros, como Gustavo II da Suécia, que intervieram por razões de convicção religiosa. O caso de Gustavo II é particularmente significativo, pois obrigava seus soldados a cantar canções religiosas todas as noites, embora eles fossem uns terríveis saqueadores. O exército sueco ganhou o título de “Schrecken des Krieges” pela população alemã, que teme a pilhagem dos suecos ainda mais do que as feitas pelos exércitos dos Habsbourg.
Segunda metade do séc. XVIII
O assunto das reduções do Paraguai. Este caso é particularmente interessante, pois aqui os católicos se massacram e se excomungam entre eles. Os jesuítas haviam estabelecido no Paraguai um pequeno império particular feito de reduções (redutos), ou seja, pequenas aldeias fortificadas na floresta, onde viviam os índios convertidos ao cristianismo, mas uma correção das fronteiras coloca alguns desses redutos em território português. Ora, Portugal, país católico e cristão, mantém na época a tradição da escravatura: os portugueses pensam então roubar aos jesuítas os índios para depois vendê-los como escravos.
O papa intervém, excomunga os jesuítas das reduções. Depois, um exército, com os canhões e espadas benzidas pelos padres de serviço, ataca as reduções, massacra os jesuítas e toma os índios como escravos. Um Te Deum solene celebra a vitória, como deve.
Pouco depois o papa interdita a ordem dos jesuítas, culpada de ser muito inteligente e racional, e sobretudo de não ter servido com lealdade a família de Bourbon, reis de França e de Espanha, monarcas absolutos e grandes amigos da Igreja católica.
Ano de 1766
Em pleno século das luzes, um jovem de 19 anos, o Cavaleiro de la Barre, passa “a vinte passos duma procissão, sem tirar o chapéu”. É preso e torturado. Finalmente é decapitado depois de lhe terem cortado a língua. O seu corpo é depois colocado sobre uma fogueira e queimado junto com um exemplar do Dicionário Filosófico de Voltaire, diante duma multidão entusiasmada.
Ano de 1788
No Cantão de Glaris, na Suíça, a última bruxa foi queimada.
Esta execução da Inquisição não foi a última, e continuará queimando hereges até 1826.
Ano de 1793
Kant, professor de Filosofia em Konigsberg e estrela internacional da filosofia moderna, depois da publicação da “Crítica da Razão Pura”, publica “A religião nos limites da Razão”, onde ele coloca as doutrinas cristãs à prova do raciocínio e do “imperativo categórico”. É demais para os piedosos reis da Prússia, que empurrados pelos prelados protestantes, intervém e Kant é forçado a retratar-se publicamente, sob pena de perder imediatamente o seu posto na universidade de Konigsberg. Todos os professores universitários são obrigados a assinar, sob pena de dispensa imediata, um documento onde prometem não citar os ensinamentos de Kant com relação à religião. Como no caso de Galileu, a fama internacional de Kant o salva de conseqüências mais severas. Kant ainda pensa em se exilar, mas neste fim de século, há poucos céus clementes para pensadores que ousaram criticar aspectos da ideologia cristã. Assim acabará os seus dias em Konigsberg.
Ano de 1826
O último herege é queimado vivo pela inquisição espanhola. Uma rica tradição cristã termina. Daí para a frente, a Igreja recorrerá a meios mais sutis para matar, como proibir a assistência a mulheres que devem abortar, sabotando o planejamento familiar nos países pobres, proibindo os preservativos como modo de lutar contra a Aids-Sida, etc.
Ano de 1847
Guerra do Sonderbund. A Suíça é dilacerada por uma guerra religiosa. Os cantões católicos, cujos governos estão muito influenciados pelos conselheiros jesuítas, fundam uma aliança militar, o Sonderbund, que exige a anexação aos cantões católicos de regiões majoritariamente protestantes. Chamam os monarcas católicos da Áustria em seu auxílio, depois iniciam as hostilidades. Somente uma vitória rápida das tropas federais/protestantes permitiu evitar uma intervenção austríaca, que levaria a um conflito de extensão européia.
Os protestantes, por seu lado, encetam uma feroz “Caça aos católicos”, nos campos de Genebra.
Os jesuítas, considerados responsáveis pela guerra, são expulsos da Suíça, e essa expulsão valerá até 1970.
Ano de 1848
A população de Roma revolta-se contra a ditadura papal. O papa é expulso. Volta ao poder em 1849, devido à ação das tropas francesas enviadas por Luís Napoleão Bonaparte, presidente da república francesa. Os opositores são fuzilados. O Estado da Igreja volta a ser uma monarquia absoluta, cujo soberano é o papa.
Ano de 1871
O papa excomunga todo aquele que participar de qualquer eleição do estado italiano, que é classificado como “diabólico”, porque retirou aos papas o seu poder temporal. Essa sentença de excomunhão automática não impedirá o papa de abençoar, alguns anos depois, a fundação do “Partito populare”, de inspiração católica e fundado por um padre.
Ano de 1881
Os “Pogroms” russos começam. Incitados pelos prelados ortodoxos, que difundiram um boato que o Czar Alexandre II teria sido assassinado por um judeu, multidões se juntam em mais de 200 cidades russas e destroem os bens dos judeus. Os pogroms tornar-se-ão comuns na piedosa Rússia Czarista, sobretudo entre 1908 e 1917. O mais violento dentre eles teve lugar em Kishinev, em 1913: as autoridades civis e religiosas da cidade incitam a multidão que ataca violentamente os judeus. Durante dois dias a multidão mata 45 judeus, fere 600 e pilha 1500 casas. Claro que os responsáveis (popes e políticos) nunca serão incomodados pela justiça.
Ano de 1889
Numa Roma livre do jugo papal, no dia 9 de junho, é inaugurada a estátua de Giordano Bruno, no Campo das Flores. O papa Leão XIII, sofredor, passará o dia todo de jejum aos pés da estátua de S. Pedro. A imprensa católica dispara: fala de “orgia satânica”, descrevendo a manifestação da inauguração, o “triunfo da sinagoga, dos arquibandidos da Maçonaria, dos chefes do liberalismo demagógico”, “o máximo da ignorância e da malignidade anti-clerical”.
Anos de 1918 a 1945
Os anos do compromisso. A Igreja católica apóia ativamente o crescimento dos totalitarismos na Europa. Na Áustria, o seu apoio ao Austro-Fascismo é total. Na Itália, ela assina com o regime fascista uma concordata que faz do catolicismo a religião de estado: os italianos podem de novo votar sem serem excomungados, pena que isso de pouco serve em período de ditadura. A Igreja sacrifica em grande parte as suas próprias associações: todas, exceto a Ação Católica, devem integrar as organizações fascistas. O Vaticano promete a Mussolini de fazer com que a Ação Católica não se deixe tentar por ações antifascistas.
Em 1929, Mussolini, depois de ter assinado a concordata dita “Patti Lateranensi”, é qualificado pelo papa como “o homem da providência”. Em 1932, o ditador recebe das mãos do papa a Ordem da Espora de Ouro, que é a mais alta distinção concedida pelo Estado do Vaticano.
Essa bela harmonia vai resistir mesmo ao momento de tensão causado pela estátua de Giordano Bruno. O papa aproveita a concordata para pedir ao seu amigo ditador que destrua a estátua erigida em 1889. O ditador, que tem um filho com o nome de Bruno, toma a defesa do livre-pensador e declara à Câmara de Deputados que “A estátua de Giordano Bruno, melancólica como o destino desse monge, ficará onde ela está. Tenho a impressão que seria se encarniçar contra esse filósofo que, se equivocado e persistiu no erro, no entanto já pagou”. Para mostrar que não se arrepende de nada a Igreja canoniza então Roberto Bellarmino, o acusador de G. Bruno, nomeando-o “Doutor da Igreja”.
Na Alemanha, em janeiro de 1933, o Zentrum, partido católico, cujo líder é um prelado católico (Pralat Kaas), vota plenos poderes para Hitler: este último pode assim atingir a maioria de dois terços necessária para suspender os direitos garantidos pela Constituição. Com uma caridade toda cristã, o bom prelado aceita também fechar os olhos para os discutíveis processos nazistas, como a prisão dos deputados comunistas antes da votação. Depois a Igreja começa a negociar uma nova concordata com a Alemanha: nesse cenário, ela sacrifica o Zentrum, então o único partido significativo que os nazistas não tinham proibido. Na realidade ele tinha-o ajudado a chegar ao poder. Em 5 de julho de 1933, o Zentrum se dissolve sob solicitação da hierarquia católica, deixando o caminho livre para o NSDAP de Hitler, então partido único.
Hitler declara-se católico no “Mein Kampf”, o livro onde ele anuncia o seu programa político. Também afirma que está convencido ser ele um “instrumento de deus”. A Igreja católica nunca colocou no seu Índex o “Mein Kampf”, mesmo antes da ascensão de Hitler ao poder. Podemos acreditar que o programa anti-semita do futuro chanceler não desagradava à Igreja. Hitler mostrará o seu reconhecimento tornando obrigatória uma prece a Jesus nas escolas públicas alemãs e reintroduzindo a frase “Gott mit uns” (Deus está conosco) nos uniformes do exército alemão.
Em 1938, as SS e SA organizam a “Noite de Cristal”: com trajes civis, os milicianos nazistas atacam sinagogas e lojas pertencentes a judeus. A população alemã está horrorizada e aterrorizada. O bispo de Freiburg, monsenhor Gröber, declara então, em resposta às perguntas sobre as leis racistas e os pogroms da noite de cristal: “Não podemos recusar a ninguém o direito de salvaguardar a pureza da sua raça e de elaborar medidas necessárias a esse fim”.
Na Espanha, um general tenta um golpe de estado militar, que aborta mas degenera em guerra civil. A Igreja o apóia, padres e bispos benzem os canhões de Franco, celebram com muita pompa Te Deum pelas suas vitórias contra o governo republicano legítimo. A guerra faz mais de um milhão de mortos, e Franco fuzila todos os prisioneiros. Franco se mostrará reconhecido por seus piedosos aliados, nomeando diversos membros da Opus Dei para o seu governo. A influência da Opus Dei crescerá ao longo da ditadura franquista, ao ponto de se chegar a mais de metade dos ministros serem membros dessa venerável instituição católica.
Na França, a Igreja declara, desde 1940, que “Petain é a França”: ela prefere de fato o Trabalho-Família-Pátria do estado francês às Liberté-Égalité-Fraternité da República, que sempre a horrorizaram.
Durante a 2a guerra mundial, o Vaticano estava ciente do extermínio dos judeus pelos nazistas. Saber-se-á, após a guerra, que o papa diversas vezes esteve para fazer um pronunciamento público, mas que finalmente se absteve essencialmente pela sua comunistofobia e achando que uma vitória russa seria “pior”. No entanto ele chorou em 1942, junto às ruínas de Roma, bombardeada pelos aliados. Também ele se esquece de mencionar que o seu aliado político Mussolini tinha solicitado a Hitler para ter “a honra de participar dos bombardeamentos sobre Londres”, é verdade que o papa não habitava em Londres...
Ano de 1948
O papa declara que todo aquele que votar nos comunistas ou que ajudar esse partido de qualquer maneira será automaticamente excomungado. Essa medida divide as famílias, provoca exclusões socialmente intoleráveis para muitos e obriga à clandestinidade de numerosos comunistas nas zonas rurais.
Os curas italianos apressaram-se a traduzir essa decisão em fatos, e pedem que as suas ovelhas votem no grande partido anticomunista (DC – Democrazia Cristiana). O partido DC vai-se afundar logo em seguida na corrupção generalizada nos anos 90.
Ano de 1961
Última edição do índex (Índex Additus Librorum Prohibitorum), que cita como autores cujas obras são proibidas de leitura pelos católicos entre outros: Jean-Paul Sartre, Alberto Moravia, André Gide.
Anos 80
Depois de um período de aparente liberalização, o papa João Paulo II chega à cabeça da maior seita do mundo e rende-se às mais terríveis tradições da Igreja.
A sua condenação do preservativo, como modo de luta contra a Aids-Sida, provoca um grande número de mortos, difícil de estimar. Pratica uma política ativa de sabotagem às medidas de controle da natalidade no terceiro mundo. As conseqüências são difíceis de contabilizar, mas podem ser medidas em termos de fome, miséria, criminalidade e falta de assistência médica nos continentes mais pobres – América do Sul e África.
Na sua caça aos hereges, o papa suspende “A divinis”, dois teólogos alemães que tinham ousado duvidar, um da infalibilidade papal, e outro da imaculada concepção de Maria. (Nota 5)
Anos 90: guerras de religião na Iugoslávia
A Iugoslávia era, nos anos 80, uma das terras favoritas para férias balneares dos europeus. A publicidade iugoslava da época vendia o caráter multireligioso do país como um argumento turístico, pois se podia ver em Mostar e em outras belas cidades as mesquitas e as igrejas lado a lado. Mas o país se afundou numa série de guerras civis que se querem descrever como guerras “étnicas”, quando na verdade se tratam de guerras religiosas. O caso da guerra da Croácia é o mais flagrante. Sérvios e croatas têm a mesma origem étnica e até a mesma língua, o Croata-servo. O mais irônico é que o croata-servo (servo-croata, escrito em caracteres latinos), é hoje a língua oficial dos soldados do exército Iugoslavo que combateu em Kosovo contra a OTAN, depois de ter lutado contra os croatas no início dos anos 90. Mas a religião separa os croatas dos Sérvios: os croatas foram cristianizados por Roma e são católicos. Os sérvios foram cristianizados pelos bizantinos e são ortodoxos. Quando Milosevitch começa a agitar o espectro da “Grande Sérvia”, a Croácia declara a independência. Imediatamente o Vaticano e a R. F. da Alemanha, cujo chanceler se declarava um católico convicto, reconhecem a Croácia católica como estado independente. O Vaticano mandou para todo o mundo anúncios para que os países reconhecessem o novo estado católico. O papa multiplica os apelos, as preces e as missas pela independência da Croácia. Durante esse tempo, o ditador croata, antigo oficial superior do regime comunista e também católico praticante, deu férias para todos os seus funcionários ortodoxos, isto é, sérvios. Depois escolheu como bandeira nacional a antiga insígnia dos Oustachis, que entre 1940 e 44 tinham praticado um genocídio de cerca de 600.000 sérvios. A guerra civil iniciou-se.
Finalmente termina essa guerra, e o papa beatifica o cardeal Stepinac que havia qualificado Ante Palevitc, o ditador Oustachi durante a ocupação de 1940/44, de “Dom de deus”, para a Croácia e o havia apoiado ativamente.
A guerra da Iugoslávia continuou depois na Bósnia, onde os membros dos três grupos religiosos (ortodoxos, muçulmanos e católicos) se enfrentaram em uma série de combates triangulares, tendo a população civil como a principal vítima. Depois a guerra passou para o Kosovo, província agrícola sem interesse estratégico, e todos sabemos o que se passou.
As guerras da Iugoslávia são um caso emblemático da catastrófica intolerância que é típica das religiões “reveladas”: as comunidades religiosas se enfrentam, neste final de século, em nome de religiões que elas receberam dos acasos da expansão dos diversos impérios (Romano, Bizantino e Otomano) desde a idade-média.
Tradução: Cassy Besky
Fonte: Realidade
“Acreditar num deus cruel, faz um homem cruel” Thomas Paine
Prefácio
Há cerca de 2000 anos, nascia na Galiléia um fundador de seita, que acabaria crucificado uns trinta anos mais tarde. Algumas de suas últimas palavras na cruz foram “Dêem-me de beber”. E só. A seita que ele tinha fundado tornar-se-ia, com o passar dos anos, a maior de todos os tempos. Ela tomará o poder político dentro do Império Romano, abolirá a liberdade de religião, depois ajuntará montanhas de cadáveres: os seus membros massacrarão milhões de “infiéis”, “hereges”, “feiticeiras” e outros, depois se matarão entre eles próprios, levando a Europa às guerras mais ferozes que ela conheceu. Um passado destes poderia incitar à modéstia, mas os cristãos reivindicam, pelo contrário, o monopólio da ética. Proclamam que adoram o Deus único, que deus é “amor”, e se consideram melhores que o resto da humanidade.
Única ideologia capaz de dividir com o comunismo e o nazismo o pódio dedicado às ideologias mais mortíferas da história humana, o cristianismo mantém-se uma ideologia dominante em muitos países ocidentais, como o “gendarme do mundo”, os EUA. Chegou a hora de abrir o “Livro Negro do Cristianismo: 2000 anos de terror, perseguições e repressão”, que resume algumas das piores atrocidades cometidas em nome dessa ideologia que pretende promover o amor ao próximo.
Ano um
“Os deuses não estavam mais, e Deus não estava ainda”
O Império Romano garantia a liberdade de culto. O ateísmo e a razão dominavam. É nessa época que nasce um sujeito que, segundo dizem certos judeus, perdeu o juízo porque leu o Tora demasiadamente jovem. Ele funda uma seita que visa proibir o culto dos outros deuses, exceto o seu. O sujeito é finalmente morto, mas a seita se expande com o êxito que se conhece.
O culto da personalidade do fundador da seita atinge, nos cristãos, um nível que mesmo o estalinismo não conseguirá igualar: o fundador é proclamado “verdadeiro homem e verdadeiro Deus” (“Deus-Homem”, em linguagem comum). Os que duvidam disso são proclamados imediatamente hereges, e sofrerão mais tarde os raios da Inquisição. A partir do século IV da nossa era, começará o assassinato dos não-crentes pelos cristãos.
Anos 50-70
A seita cristã se desenvolve. Textos gregos, escritos por membros da seita fora da Palestina (“Os evangelhos”) relatam a vida do fundador: nascido duma virgem, que se manterá virgem mesmo tendo vários outros filhos, ele terá sarado doentes, mas também amaldiçoa uma figueira que fica instantaneamente seca, e fará precipitar num lago centenas de porcos que lhe não pertenciam (Nota 1). Este personagem, que defende os pobres mas também afirma que “aqueles que têm tudo serão louvados, e aqueles que nada têm, o pouco que têm ser-lhe-á retirado”, um pouco patético quando amaldiçoa uma figueira ou se deixa crucificar, é declarado a encarnação do “Deus único”. O fato de, segundo os evangelhos “canônicos”, as suas últimas palavras sobre a cruz terem sido “Dai-me de beber” não parece perturbar os adeptos da seita, que se expande por todo o Império.
A intolerância religiosa dos cristãos, que visam abertamente, desde o início, impor uma interdição aos cultos de deuses que não o seu, o qual eles insistem ser o “único Deus”, começa logo a atrair a atenção da justiça romana, que defende a liberdade de culto, a qual é um dos pilares dessa sociedade complexa e multicultural que é o Império Romano dos primeiros séculos da nossa era. A propaganda cristã inverte habilmente a situação. Os condenados pela justiça romana são declarados “mártires” e os seus restos são venerados nas igrejas, inventando-se a lenda de eles terem sido executados por terem “recusado a renegar a fé”, desculpa essa bem melhor do que a verdade nua, que mostra que foram condenados por desordem e imposição da intolerância religiosa na sociedade multicultural.
Ano 312
Tomada do poder pelos cristãos. No fim duma guerra civil, Constantino toma o poder. Pouco depois ele se converte oficialmente ao cristianismo, e “autoriza”, num primeiro tempo, o culto do deus único cristão, pelo Édito de Milão: é o início da perseguição religiosa na Europa. Pouco a pouco o culto dos outros deuses, exceto o deus cristão, vai sendo proibido. Os santuários clássicos serão destruídos ou transformados em igrejas cristãs. No fim do século IV, não haverá mais nenhum templo pagão em toda a bacia do Mediterrâneo.
Ano de 380
O imperador Teodósio proclama oficialmente o Cristianismo a única “Religião de Estado”. Mas ainda será necessário esperar mais 12 anos para que todos os outros cultos sejam definitivamente proibidos.
Ano de 389
Teófilo, hoje Santo Teófilo, é nomeado patriarca de Alexandria e inicia imediatamente uma violenta campanha de destruição de todos os templos e santuários não-cristãos. Tem o apoio do pio imperador Teodósio. Deve-se a Teófilo a destruição, em Alexandria, dos templos de Mitríade e de Dionísio. Essa loucura destruidora culmina em 391 com a destruição do templo de Serapis e da sua biblioteca. As pedras dos santuários destruídos serão usadas para edificar igrejas para a nova religião única, a cristã.
Em seguida e para demonstrar que ele é capaz de perseguir também cristãos (na medida em que eles não sejam 100% ortodoxos), Teófilo comanda pessoalmente as tropas que atacam e destroem os mosteiros que aderiram às idéias de Orígeno, um teólogo cristão que foi declarado herege porque afirmava que deus era puramente imaterial.
Ano de 389
Pela primeira vez, um chefe cristão dita a um imperador a política a ser seguida: Santo Ambrósio de Milão levanta-se em plena catedral e, com o sentido de caridade tão particular aos cristãos, impõe que o imperador anule a ordem que dera ao bispo de Calinicum, sobre o Eufrates, para que reconstruísse uma sinagoga que ele e a sua congregação tinham destruído. A Igreja toma partido, assim, desde o princípio, dos incendiários de sinagogas, posição que continuará a manter até ao ano de 1940.
Início dos anos 390
O piedoso imperador cristão Teodósio interdita progressivamente todos os cultos não cristãos. Pouco a pouco, os templos não-cristãos são fechados ao culto, as procissões “pagãs” são proibidas. Esta supressão da liberdade de religião em proveito exclusivo do cristianismo causa, por vezes, revoltas, como a de 408, em Calama, na Numídia. É nessa época que acontecem na Germânia as primeiras execuções de hereges, uma bela tradição que a Igreja desenvolverá com a Inquisição e a perpetuará até 1826.
Ano de 391
Uma multidão de cristãos, guiados por Santo Atanásio e Santo Teófilo, deita abaixo o templo e a enorme estátua de Serapis, em Alexandria, duas obras-primas da antiguidade. A coleção de literatura do templo também é igualmente destruída.
Ano de 412
Cirilo, hoje Santo Cirilo, doutor da Igreja, é nomeado bispo de Alexandria e sucede a seu tio Teófilo. Excita os sentimentos anti-semitas difundidos entre os cristãos da cidade e, à frente duma multidão de cristãos, incendeia as sinagogas da cidade e faz fugir os judeus. Em seguida encoraja os cristãos a tomar os bens dos fugitivos, deixados para trás.
Ano de 415
Hepatia, a última grande matemática da Escola de Alexandria, filha de Theon de Alexandria, é assassinada por uma multidão de monges cristãos, incitados por Cirilo, patriarca de Alexandria, que será depois canonizado pela Igreja. O motivo dessa ação foi que a brilhante professora de matemática representava uma ameaça para a difusão do cristianismo pela sua defesa da Ciência e do Neoplatonismo. O fato de ela ser mulher, muito bela e carismática, fazia a sua existência ainda mais intolerável aos olhos dos cristãos. A sua morte marcou uma reviravolta: após o seu assassinato, numerosos pesquisadores e filósofos trocaram Alexandria pela Índia e pela Pérsia, e Alexandria deixou de ser o grande centro de ensino das ciências do Mundo Antigo. Além do mais, a Ciência retrocederá no Ocidente e não atingirá de novo um nível comparável ao da Alexandria antiga senão no início da Revolução Industrial. Os trabalhos da Escola de Alexandria sobre matemática, física e astronomia serão preservados, em parte, pelos árabes, persas, indianos e também chineses. O Ocidente, por outro lado, mergulha no obscurantismo, do qual começará a sair mais de um milênio depois. Em reconhecimento pelos seus méritos de perseguidor da comunidade científica e dos judeus de Alexandria, Cirilo será canonizado e promovido a “Doutor da Igreja”, em 1882.
Séculos V a XV
A “Idade Média Cristã”. Aproveitando o desaparecimento das grandes bibliotecas romanas e na ausência quase total da atividade editorial na Europa, a Igreja obtém, de fato, um monopólio sobre o conjunto da escrita e da informação. O povo é deixado propositadamente na ignorância, a leitura da Bíblia é desencorajada mesmo no caso de se ter acesso a um exemplar. Pouco a pouco, a Igreja impõe o seu domínio sobre a sociedade. A inquisição, o celibato dos padres (Nota 2), o caráter obrigatório do casamento antes de qualquer relação sexual, são todas instituições que datam dessa época. É também nessa época que se desenvolve o que se tornará uma das mais ricas tradições cristãs: queimar pessoas vivas. Cerca de um milhão de “bruxos” serão torrados durante a Idade Média. As cidades concorrerão para tentar bater recordes de quantidade de bruxos queimados por ano. O recorde foi estabelecido pela cidade de Bamberg, sede do episcopado, que conseguiu assar 600 feiticeiros num só ano.
Um grande número de membros da Igreja atual ainda lamenta o fim dessa época, quando a Igreja dominava totalmente a vida social. Religiosos (e outros) cristãos lembram com saudade a “espiritualidade” da época, a arte que deu grande ênfase à morte – assunto que sempre apaixonou os cristãos, e a música envolvente.
Ano de 804
O imperador cristão Carlos Magno converte grande número de saxões, propondo-lhes a seguinte escolha: converter-se ao catolicismo ou serem decapitados. Vários milhares de cabeças caem, com a bênção da Igreja: os sacerdotes presentes participam da jogada do imperador.
Século IX
Cisma do Oriente. O patriarca de Constantinopla pretende que se deve utilizar o pão com levedura para a Eucaristia. O Papa, bispo de Roma, afirma que se deve usar pão sem levedura. Com base neste problema de capital importância, a cristandade se divide, e os dois patriarcas, de Roma e de Constantinopla, se excomungam mutuamente. O Cisma vai provocar mortes até aos anos 90 (guerras nos Balcãs, ex-Iugoslávia, de católicos contra ortodoxos).
Ano de 1182
Os “pogroms” latinos de Constantinopla. Na cidade do piedoso patriarca que come pão levedado, estabeleceu-se, desde o início de século XII, uma colônia de mercadores “latinos”, essencialmente originários de Veneza, Gênova, Pisa e Amalfi. Mas essas pessoas têm tudo para desagradar aos prelados ortodoxos: além de utilizarem o pão sem levedura para a Eucaristia, fazem o sinal da cruz no sentido errado, da esquerda para a direita e não da direita para a esquerda! Os popes excitam a população e enfim, nos dias radiosos de maio de 1182, a multidão guiada pelos popes pega os latinos: vários milhares deles, homens, mulheres e crianças são trucidados.
Séculos XI e XII
Em face do crescimento da população da Europa, a Igreja propõe um método de controle populacional “natural”: as cruzadas. O apelo às cruzadas foi lançado em 1095. Em 1099 Jerusalém é “libertada”: logo que as tropas cruzadas entraram na cidade, o governador muçulmano rendeu-se sob a promessa da população civil ser poupada. Claro, a totalidade da população (que compreende essencialmente judeus e muçulmanos) é passada pelas armas nas horas seguintes, mas com o cuidado de antes violentar todas a mulheres e decapitar as crianças. Estima-se em 70.000 o número de civis massacrados. A última fase do massacre passa-se nas sinagogas e mesquitas da cidade, onde os habitantes aterrorizados se refugiaram: pensam que o caráter religioso dos locais possa inspirar os piedosos cruzados à clemência. Nada disso acontece: os cruzados entram e transformam os locais de culto em vastas carnificinas. O massacre de milhares de civis amontoados na grande mesquita da esplanada do templo dura várias horas. “Tudo o que respira” na cidade foi morto, informam com orgulho os comandantes dos cruzados.
Ano de 1204
A 4a Cruzada fez uma parada em Constantinopla, na época a maior cidade cristã. Mas os cristãos sabem fazer entre eles o que fazem aos outros: durante três dias, Constantinopla foi posta a saque, com uma orgia de violências indescritíveis.
Anos de 1208 a 1244
Cruzada dos Albigences: por iniciativa do papa Inocêncio III, uma cruzada é preparada. Em 1209, como alguns “hereges” se haviam misturado com a população de Beziers, o duque Simon de Monfort deu uma ordem que lhe assegurou a posteridade: “Matem-nos todos, deus reconhecerá os seus”. Toda a população, homens, mulheres e crianças são passados pelas armas. A Provence e a região de Toulouse ficam muito despovoadas após essa guerra que é dirigida contra a população civil, com uma ferocidade sem precedentes desde as invasões bárbaras.
Anos de 1226 a 1270
Luís IX, rei de França. Finalmente um católico, de reputação piedosa e íntegra, ascende à coroa de França. A Igreja o canoniza em 1290, em reconhecimento de seus méritos que, ninguém duvida serem excepcionais. De fato, durante o seu reinado, São Luís lança duas cruzadas, que terminam as duas de modo catastrófico: pouco importa, é a intenção (de matar e de pilhar) que conta, aos olhos da misericordiosa Igreja católica! No plano interno, São Luís (Nota 3) faz de modo que a justiça puna de modo sistemático os blasfemeadores: são postos nos pelourinhos e têm as suas línguas atravessadas por ferros em brasa.
Ano de 1231
Fundação da Inquisição. O Santo Ofício, durante toda a sua história, queimou mais de um milhão de pessoas, essencialmente hereges, judeus e muçulmanos convertidos e também os “bruxos”. A última feiticeira será queimada em 1788. O último “herege” chegará à sua vez em 1826. A inquisição e os seus imitadores protestantes queimam também médicos e cientistas, desde que haja uma oportunidade.
A Igreja nunca se arrependeu dos atos da Inquisição e até garantiu a continuidade histórica da instituição até aos nossos dias, limitando-se apenas a mudar-lhe o nome: será necessário esperar que Pio X, em 1906, faça que o “Santo Ofício da Inquisição” seja renomeado como “Santo Ofício”, e em 1965, para que seja rebatizado como “Congregação para a doutrina da fé”. Enfim, em 1997, o papa abre os arquivos do Santo Ofício, e historiadores escolhidos a dedo são autorizados a fazer pesquisas. As estimativas do número total de vítimas da inquisição são então revistas para cima, havendo um consenso que roda hoje em torno de um milhão de pessoas executadas, ao qual é necessário acrescentar as inúmeras pessoas torturadas e com todos os seus bens apreendidos.
Ano de 1251
O papa Inocêncio IV autoriza enfim a inquisição a praticar a tortura. A obtenção das confissões de culpa é grandemente facilitada. A inquisição pode aplicar, com base em confissões arrancadas através de tortura, penas indo duma simples oração ou dum jejum até à confiscação dos bens e mesmo prisão perpétua. Mas ela não pode condenar à morte. Com a subtileza característica da Igreja católica, a inquisição podia “passar” um herege para a justiça comum, que o levará à morte na fogueira, com base na confissão obtida pela Igreja, mesmo com tortura. Essa subtilidade permitirá à Igreja afirmar que ela nunca matou ninguém...
Anos 1347 a 1354
Em toda a Europa reina a Morte Negra, a primeira grande epidemia de peste no continente. Os prelados católicos logo descobriram os culpados: os judeus teriam envenenado os poços de água. Esse boato espalha-se por toda a Europa e inúmeros “pogroms” acontecem. Na Alemanha contam-se 350 comunidades judias totalmente destruídas pelos “pogroms” nesse período. Na Itália, em Milão, as autoridades civis e eclesiásticas, depois de terem executado no braseiro os “untori” judeus, inauguraram uma coluna comemorativa para lembrar o seu feito. Essa coluna passou à História com o nome de “Coluna infame”, quando, no século XIX, o romancista Manzoni teve, em primeira mão, a coragem de denunciar esse monumento à perversão religiosa.
Ano de 1483
Tomás de Torquemada é nomeado Grande Inquisidor de Castela. Esse monge dominicano (Nota 4) faz uma ampla utilização da tortura e da confiscação dos bens das vítimas. Estima-se em 20.000 o número de pessoas queimadas durante o seu mandato.
Ano de 1487
Dois monges dominicanos alemães, Jacob Sprenger e Heinrich Institoris publicam o “Malleus Malleficarum”: trata-se dum espesso volume de 400 páginas que é um guia (claro que aprovado pela hierarquia católica) de caça às bruxas. Lá se pode aprender a identificá-las (p. ex. se uma mulher acariciar um gato preto e a centenas de metros alguém se sentir mal, etc), a torturá-las para as fazer confessar, e como os inquisidores podem se absolver mutuamente, depois duma sessão de tortura. A obra afirma também que negar a existência da feitiçaria é uma heresia muito grave, passível de morte na fogueira. Durante dois séculos e meio, na Alemanha, depois da publicação do Malleus Malleficarum, negar a bruxaria podia levar ao braseiro. O manual foi um “best-seller”...
Ano de 1492
O rei “muito católico” e a rainha “muito católica” (títulos dados pelo papa em pessoa!) de Espanha, expulsam os judeus. Eles podem escolher se converter, para então poderem ser justiçados pela inquisição (que queimará grande número deles) ou partir. Mais de 160.000 judeus saíram da Espanha. A hierarquia católica não fica indiferente a essa medida duma crueldade assustadora: ela aprova a medida, e o papa encoraja os outros soberanos europeus a se inspirarem no exemplo espanhol. Em toda a Europa os padres católicos se mobilizam para obrigar os governos a proibir a entrada dos judeus expulsos.
Os judeus que escolheram se converter são perseguidos pela inquisição com uma impressionante determinação: até ao século XVIII, far-se-á o “Teste da banha de porco” aos judeus convertidos e seus descendentes: uma salada com pedaços de carne e banha de porco é apresentada ao “convertido”. Se for notado que ele não comeu a carne suína, será queimado como “falso convertido”. Esse método será também aplicado aos muçulmanos e seus descendentes.
Se a expulsão dos judeus de Espanha foi a maior do gênero registrada na História, não foi a primeira. Na França, os prelados católicos tinham já conseguido a expulsão dos judeus em 1306, e que foi logo revogada, antes de ser confirmada em 1394. A Inglaterra já tinha procedido à expulsão em 1290. Em 1496, Portugal imita o seu poderoso vizinho, expulsando também os judeus.
Ano de 1493
O primeiro índio da América no paraíso. Quando Cristóvão Colombo, que teve o cuidado de levar um monge nas bagagens, chega à América, encontra os índios que descreverá como gente amigável e solícita. Prende 12 deles e os leva para Espanha. À chegada, um deles fica doente: antes da sua morte, é batizado rapidamente, o que permite a corte dos muito católicos reis exultar, porque um indígena do Novo Mundo acabava de entrar no paraíso cristão. Esta triste história marcará o início da trágica cristianização dos índios americanos, onde os episódios dos redutos do Paraguai e as perseguições aos índios Pueblo serão alguns dos mais trágicos.
Ano de 1499
Acontece neste ano o maior “auto da fé” que a História registra. Em um só auto de fé, o inquisidor Diego Rodrigues Lucero queima vivos nada menos que 107 judeus convertidos ao cristianismo, em Córdova.
Século XVI
O drama dos castrados. A Igreja, que tinha proibido que mulheres cantassem no coral das igrejas, enfrenta um problema trágico: como não torturar os ouvidos dos piedosos prelados de cristo, privando-os das vozes sopranas, tão importantes nos coros para louvar o amor a deus? Uma solução bárbara é encontrada: castrar jovens meninos cuja voz tenha sido considerada bela. Nos corais da Santa Igreja católica não faltarão assim nunca os sopranos e contraltos...
Esta prática bárbara só terminará em 1878, por ordem do Papa Leão XIII. Mas é mantida ainda durante o século XIX, a ponto de Rossini, quando ele compôs a “Pequena missa solene”; escreveu, com naturalidade, que serão suficientes para executá-la “um piano e uma dúzia de cantores dos três sexos, homens, mulheres e castrados”.
Ano de 1506
“Pogrom” de Lisboa: 3000 judeus são trucidados pelos piedosos católicos, incitados pelos prelados.
Século XVI
Júlio II della Rovere, papa. Hábil chefe militar, veste uma armadura durante a missa, quando um monge insolente lhe diz que o traje não é conveniente. “Quando se trata de conquistar terras, deus não faz questão do traje, mas da fé do seu servidor”, lhe responde, passando assim à História. Deus lhe permitiu, de fato, conquistar a cidade de Bolonha, que foi, como deveria, posta a saque.
Ano de 1521
Inspirado pelo Espírito Santo, que aparentemente não tinha o que fazer, um monge alemão, Martin Luther, traduz do latim o “Novo Testamento”, em algumas semanas. O diabo acaba de o tentar: Lutero não encontra coisa melhor a fazer do que lançar sobre ele um tinteiro, que suja a parede. Essa mancha está religiosamente preservada para os turistas do castelo de Wartburg.
O acontecimento pareceria insignificante. Mas não é, pois ele inaugura o maior cisma da cristandade: durante os séculos seguintes, os cristãos vão se massacrar mutuamente ainda com mais entusiasmo do que quando eles matavam e queimavam os não-cristãos, os hereges, as bruxas, os judeus e muçulmanos convertidos, etc.
Lutero escreverá e dirá diversas vezes que era necessário queimar as sinagogas e escorraçar os judeus das cidades: ele se situa assim dentro da tradição dos pais da Igreja católica, e que será mantida até ao século XIX pela inquisição e depois no século XX pelos camisas castanhas (seguidores de Mussolini).
Ano de 1527
Saque de Roma. Os soldados protestantes massacram a totalidade da população de Roma, umas 40.000 almas, e pilham a cidade. O papa é salvo pelos guardas suíços. Ele se fecha com eles no Castelo de Santo Ângelo, enquanto a população é massacrada. Ele passou um grande medo. Os suíços ganham assim uma fama profissional no estrangeiro, o que se perpetua até hoje.
Ano de 1553
Calvino, que condena os excessos da Igreja Católica, faz decapitar o livre-pensador e médico Michel Servet, que havia descoberto a circulação sanguínea. Esse é somente um dos 15 hereges que o reformador fez executar durante a sua ditadura sobre Genebra.
Calvino tem um papel muito ativo na prisão e depois na condenação à morte de Michel Servet. Primeiro ele troca correspondência com ele e depois que o médico, fugindo da inquisição, chega a Genebra, manda-o prender. Calvino havia dito a seu amigo, o reformador Farel, que se Servet entrasse em Genebra, de lá não sairia vivo. Ele manteve a sua promessa e interveio pessoalmente no julgamento pedindo a sua execução. A única clemência dada a Servet foi de ser decapitado em vez de queimado vivo.
Ano de 1571
A invenção da imprensa permite que um número crescente de pessoas se informe. A Igreja reage criando o Índex (Index Additus Librorum Prohibitorum): essa instituição editava regularmente a lista dos livros proibidos. A última edição do Índex foi publicada em 1961.
Anos de 1566 a 1572
Pio V, papa. Este santo da Igreja católica vangloria-se publicamente diversas vezes de ter, durante a sua carreira de inquisidor, colocado fogo com suas próprias mãos em mais de 100 fogueiras de hereges que ele mesmo acusara, confundira e condenara.
Publica também uma nova edição do catecismo oficial da Igreja, no qual o amor ao próximo e a misericórdia ocupam um lugar importante.
Anos de 1547 a 1593
Guerras de religião na França. As subseitas cristãs entregam-se a uma guerra civil sem perdão, interrompida por diversas pazes e tréguas temporárias. Durante uma delas, teve lugar o massacre de 20.000 protestantes, homens, mulheres e crianças, numa só noite, a tristemente célebre Noite de S. Bartolomeu (1572).
Fim do século XVI até ao início do século XVIII
Conversão forçada dos índios Pueblo. Subindo pela costa do golfo do México, os exploradores espanhóis, sempre acompanhados de monges e padres, entram em contato com a tribo dos Pueblo, no território que hoje pertence ao estado americano do Novo México: diferentes dos índios nômades das planícies do Norte e doutros indígenas mais combativos que os espanhóis encontraram no México e na América do Sul, os índios Pueblo vivem em aldeias (los pueblos) de casas de tijolos com 2 ou 3 andares, são pacíficos e praticam a agricultura. Seguem uma religião na qual se venera o “Pai do Céu” e a “Terra Mãe”, temem os demônios (os Skinnwalkers) que andam pela crista das montanhas ao pôr do sol, veneram os corvos como reencarnação dos seus antepassados. Eles têm também um rico templo de deuses semelhantes aos dos gregos, sendo o seu deus principal a mulher-aranha. As cerimônias são celebradas em pequenas igrejas familiares, as Kivas. Estes pacíficos agricultores logo se tornam objeto de atenção dos padres espanhóis, impacientes por substituir o culto do Pai Céu e da Mãe Terra por aquele de cujo deus se bebe o sangue durante as cerimônias: os pajés índios são acusados de bruxaria e executados. As Kivas são destruídas pelos militares hispânicos. Os cultos religiosos tradicionais são proibidos, sob pena de mutilação. Índios surpreendidos a celebrar uma cerimônia tradicional terão um braço ou um pé cortados. Apesar disso tudo, alguns índios continuarão a fazer os seus cultos, em segredo e à noite. Os padres católicos usarão esse fato nos seus sermões e que os índios ainda hoje citam com amargura: os padres diziam que a religião dos índios era a das trevas, pois era sempre à noite, enquanto que o cristianismo era a religião da luz, pois se come a carne e se bebe o sangue do deus cristão em pleno dia. Diversas revoltas sangrentas pontuam a cristianização dos Pueblo. Essa perseguição religiosa só cessará depois da anexação do território pelos EUA, em 1847.
Ano de 1600
Giordano Bruno é queimado vivo em Roma, condenado por heresia. Ele havia ousado definir o Universo como infinito e admitido a hipótese da existência de formas de vida fora da Terra. Era demais para a Igreja. Depois de 8 anos de processo, durante os quais lhe são arrancadas confissões, sob tortura, ele é condenado à morte como “herege obstinado e ímpio”. Ele se defende tentando mostrar que as suas idéias não estão em contradição com as doutrinas cristãs, mas em vão. Ele foi queimado vivo, em público, em Roma, no Campo dei Fiori. Tiveram o cuidado de lhe cortar a língua antes de o enviar ao local da execução, para evitar todo o risco de que as suas palavras emocionassem a multidão que veio assistir ao espetáculo. O seu principal acusador, o cardeal Bellarmino, será mais tarde canonizado e, em 1930, proclamado “Doutor da Igreja”.
É interessante notar que, no caso de Galileu, a Igreja católica expressou o seu arrependimento no fim do séc. XX, com a sua reabilitação em 1992, nunca se arrependerá da execução de Bruno. Pelo contrário, ela se opôs com veemência à instalação duma estátua de Giordano Bruno, em 1889. Em 1929, o papa pediu a Mussolini para que destruísse essa estátua, antes de canonizar e depois nomear “Doutor da igreja” o cardeal Roberto Bellarmino, acusador de Giordano Bruno.
Ano de 1609
Expulsão dos mouros de Espanha. Depois da expulsão dos judeus de Espanha, a inquisição se aborrecia um pouco nesse belo país. Lança então a caça aos “morescos”, os árabes convertidos ao cristianismo. Há a suspeita de serem falsos convertidos e são executados todos os que se recusam a beber vinho ou comer carne de porco, ou que sejam limpos demais. Com efeito, o Islamismo, contrariamente ao cristianismo, prescreve lavagens periódicas. A higiene nunca foi tão perigosa como no séc. XVI em Espanha! Enfim, em 1609, temendo talvez ter deixado passar alguns falsos convertidos, a inquisição consegue do rei a expulsão dos “morescos” para o Norte da África. O número dos expulsos é mal conhecido: as estimativas variam entre 300.000 e 3.000.000. Os expulsos chegam a terras islâmicas, onde o Corão prevê a pena de morte para os que renegaram Mahomé...
Ano de 1633
Processo de Galileu. Por ter duvidado da teoria geocêntrica de Ptolomeu, (que, diga-se de passagem, não era cristão), Galileo Galilei é obrigado a retratar-se: são-lhe mostrados os instrumentos de tortura que seriam usados se ele insistisse. O processo de Galileu só foi reaberto para revisão pelo papa João Paulo II, e Galileu é reabilitado em 1992.
As suas obras já tinham sido colocadas no Índex em 1616. Passará o resto da sua vida confinado na sua casa (prisão domiciliar). Foi a sua reputação internacional de cientista que lhe evitou conseqüências mais graves.
Anos de 1618 a 1648
Guerra dos 30 anos. Os muito católicos reis de Habsbourg forçam a conversão dos seus súbditos protestantes da Boêmia, iniciando a maior guerra que o continente europeu tinha conhecido. A população da Alemanha é reduzida à metade. Numerosas cidades são devastadas. Epidemias de peste assolam toda a Europa Central, desde a Lombardia à Prússia.
Trata-se realmente duma guerra religiosa, embora as igrejas tenham tentado fazer crer que se tratava dum conflito político: a guerra iniciou-se por conflitos religiosos e pela ação de reis estrangeiros, como Gustavo II da Suécia, que intervieram por razões de convicção religiosa. O caso de Gustavo II é particularmente significativo, pois obrigava seus soldados a cantar canções religiosas todas as noites, embora eles fossem uns terríveis saqueadores. O exército sueco ganhou o título de “Schrecken des Krieges” pela população alemã, que teme a pilhagem dos suecos ainda mais do que as feitas pelos exércitos dos Habsbourg.
Segunda metade do séc. XVIII
O assunto das reduções do Paraguai. Este caso é particularmente interessante, pois aqui os católicos se massacram e se excomungam entre eles. Os jesuítas haviam estabelecido no Paraguai um pequeno império particular feito de reduções (redutos), ou seja, pequenas aldeias fortificadas na floresta, onde viviam os índios convertidos ao cristianismo, mas uma correção das fronteiras coloca alguns desses redutos em território português. Ora, Portugal, país católico e cristão, mantém na época a tradição da escravatura: os portugueses pensam então roubar aos jesuítas os índios para depois vendê-los como escravos.
O papa intervém, excomunga os jesuítas das reduções. Depois, um exército, com os canhões e espadas benzidas pelos padres de serviço, ataca as reduções, massacra os jesuítas e toma os índios como escravos. Um Te Deum solene celebra a vitória, como deve.
Pouco depois o papa interdita a ordem dos jesuítas, culpada de ser muito inteligente e racional, e sobretudo de não ter servido com lealdade a família de Bourbon, reis de França e de Espanha, monarcas absolutos e grandes amigos da Igreja católica.
Ano de 1766
Em pleno século das luzes, um jovem de 19 anos, o Cavaleiro de la Barre, passa “a vinte passos duma procissão, sem tirar o chapéu”. É preso e torturado. Finalmente é decapitado depois de lhe terem cortado a língua. O seu corpo é depois colocado sobre uma fogueira e queimado junto com um exemplar do Dicionário Filosófico de Voltaire, diante duma multidão entusiasmada.
Ano de 1788
No Cantão de Glaris, na Suíça, a última bruxa foi queimada.
Esta execução da Inquisição não foi a última, e continuará queimando hereges até 1826.
Ano de 1793
Kant, professor de Filosofia em Konigsberg e estrela internacional da filosofia moderna, depois da publicação da “Crítica da Razão Pura”, publica “A religião nos limites da Razão”, onde ele coloca as doutrinas cristãs à prova do raciocínio e do “imperativo categórico”. É demais para os piedosos reis da Prússia, que empurrados pelos prelados protestantes, intervém e Kant é forçado a retratar-se publicamente, sob pena de perder imediatamente o seu posto na universidade de Konigsberg. Todos os professores universitários são obrigados a assinar, sob pena de dispensa imediata, um documento onde prometem não citar os ensinamentos de Kant com relação à religião. Como no caso de Galileu, a fama internacional de Kant o salva de conseqüências mais severas. Kant ainda pensa em se exilar, mas neste fim de século, há poucos céus clementes para pensadores que ousaram criticar aspectos da ideologia cristã. Assim acabará os seus dias em Konigsberg.
Ano de 1826
O último herege é queimado vivo pela inquisição espanhola. Uma rica tradição cristã termina. Daí para a frente, a Igreja recorrerá a meios mais sutis para matar, como proibir a assistência a mulheres que devem abortar, sabotando o planejamento familiar nos países pobres, proibindo os preservativos como modo de lutar contra a Aids-Sida, etc.
Ano de 1847
Guerra do Sonderbund. A Suíça é dilacerada por uma guerra religiosa. Os cantões católicos, cujos governos estão muito influenciados pelos conselheiros jesuítas, fundam uma aliança militar, o Sonderbund, que exige a anexação aos cantões católicos de regiões majoritariamente protestantes. Chamam os monarcas católicos da Áustria em seu auxílio, depois iniciam as hostilidades. Somente uma vitória rápida das tropas federais/protestantes permitiu evitar uma intervenção austríaca, que levaria a um conflito de extensão européia.
Os protestantes, por seu lado, encetam uma feroz “Caça aos católicos”, nos campos de Genebra.
Os jesuítas, considerados responsáveis pela guerra, são expulsos da Suíça, e essa expulsão valerá até 1970.
Ano de 1848
A população de Roma revolta-se contra a ditadura papal. O papa é expulso. Volta ao poder em 1849, devido à ação das tropas francesas enviadas por Luís Napoleão Bonaparte, presidente da república francesa. Os opositores são fuzilados. O Estado da Igreja volta a ser uma monarquia absoluta, cujo soberano é o papa.
Ano de 1871
O papa excomunga todo aquele que participar de qualquer eleição do estado italiano, que é classificado como “diabólico”, porque retirou aos papas o seu poder temporal. Essa sentença de excomunhão automática não impedirá o papa de abençoar, alguns anos depois, a fundação do “Partito populare”, de inspiração católica e fundado por um padre.
Ano de 1881
Os “Pogroms” russos começam. Incitados pelos prelados ortodoxos, que difundiram um boato que o Czar Alexandre II teria sido assassinado por um judeu, multidões se juntam em mais de 200 cidades russas e destroem os bens dos judeus. Os pogroms tornar-se-ão comuns na piedosa Rússia Czarista, sobretudo entre 1908 e 1917. O mais violento dentre eles teve lugar em Kishinev, em 1913: as autoridades civis e religiosas da cidade incitam a multidão que ataca violentamente os judeus. Durante dois dias a multidão mata 45 judeus, fere 600 e pilha 1500 casas. Claro que os responsáveis (popes e políticos) nunca serão incomodados pela justiça.
Ano de 1889
Numa Roma livre do jugo papal, no dia 9 de junho, é inaugurada a estátua de Giordano Bruno, no Campo das Flores. O papa Leão XIII, sofredor, passará o dia todo de jejum aos pés da estátua de S. Pedro. A imprensa católica dispara: fala de “orgia satânica”, descrevendo a manifestação da inauguração, o “triunfo da sinagoga, dos arquibandidos da Maçonaria, dos chefes do liberalismo demagógico”, “o máximo da ignorância e da malignidade anti-clerical”.
Anos de 1918 a 1945
Os anos do compromisso. A Igreja católica apóia ativamente o crescimento dos totalitarismos na Europa. Na Áustria, o seu apoio ao Austro-Fascismo é total. Na Itália, ela assina com o regime fascista uma concordata que faz do catolicismo a religião de estado: os italianos podem de novo votar sem serem excomungados, pena que isso de pouco serve em período de ditadura. A Igreja sacrifica em grande parte as suas próprias associações: todas, exceto a Ação Católica, devem integrar as organizações fascistas. O Vaticano promete a Mussolini de fazer com que a Ação Católica não se deixe tentar por ações antifascistas.
Em 1929, Mussolini, depois de ter assinado a concordata dita “Patti Lateranensi”, é qualificado pelo papa como “o homem da providência”. Em 1932, o ditador recebe das mãos do papa a Ordem da Espora de Ouro, que é a mais alta distinção concedida pelo Estado do Vaticano.
Essa bela harmonia vai resistir mesmo ao momento de tensão causado pela estátua de Giordano Bruno. O papa aproveita a concordata para pedir ao seu amigo ditador que destrua a estátua erigida em 1889. O ditador, que tem um filho com o nome de Bruno, toma a defesa do livre-pensador e declara à Câmara de Deputados que “A estátua de Giordano Bruno, melancólica como o destino desse monge, ficará onde ela está. Tenho a impressão que seria se encarniçar contra esse filósofo que, se equivocado e persistiu no erro, no entanto já pagou”. Para mostrar que não se arrepende de nada a Igreja canoniza então Roberto Bellarmino, o acusador de G. Bruno, nomeando-o “Doutor da Igreja”.
Na Alemanha, em janeiro de 1933, o Zentrum, partido católico, cujo líder é um prelado católico (Pralat Kaas), vota plenos poderes para Hitler: este último pode assim atingir a maioria de dois terços necessária para suspender os direitos garantidos pela Constituição. Com uma caridade toda cristã, o bom prelado aceita também fechar os olhos para os discutíveis processos nazistas, como a prisão dos deputados comunistas antes da votação. Depois a Igreja começa a negociar uma nova concordata com a Alemanha: nesse cenário, ela sacrifica o Zentrum, então o único partido significativo que os nazistas não tinham proibido. Na realidade ele tinha-o ajudado a chegar ao poder. Em 5 de julho de 1933, o Zentrum se dissolve sob solicitação da hierarquia católica, deixando o caminho livre para o NSDAP de Hitler, então partido único.
Hitler declara-se católico no “Mein Kampf”, o livro onde ele anuncia o seu programa político. Também afirma que está convencido ser ele um “instrumento de deus”. A Igreja católica nunca colocou no seu Índex o “Mein Kampf”, mesmo antes da ascensão de Hitler ao poder. Podemos acreditar que o programa anti-semita do futuro chanceler não desagradava à Igreja. Hitler mostrará o seu reconhecimento tornando obrigatória uma prece a Jesus nas escolas públicas alemãs e reintroduzindo a frase “Gott mit uns” (Deus está conosco) nos uniformes do exército alemão.
Em 1938, as SS e SA organizam a “Noite de Cristal”: com trajes civis, os milicianos nazistas atacam sinagogas e lojas pertencentes a judeus. A população alemã está horrorizada e aterrorizada. O bispo de Freiburg, monsenhor Gröber, declara então, em resposta às perguntas sobre as leis racistas e os pogroms da noite de cristal: “Não podemos recusar a ninguém o direito de salvaguardar a pureza da sua raça e de elaborar medidas necessárias a esse fim”.
Na Espanha, um general tenta um golpe de estado militar, que aborta mas degenera em guerra civil. A Igreja o apóia, padres e bispos benzem os canhões de Franco, celebram com muita pompa Te Deum pelas suas vitórias contra o governo republicano legítimo. A guerra faz mais de um milhão de mortos, e Franco fuzila todos os prisioneiros. Franco se mostrará reconhecido por seus piedosos aliados, nomeando diversos membros da Opus Dei para o seu governo. A influência da Opus Dei crescerá ao longo da ditadura franquista, ao ponto de se chegar a mais de metade dos ministros serem membros dessa venerável instituição católica.
Na França, a Igreja declara, desde 1940, que “Petain é a França”: ela prefere de fato o Trabalho-Família-Pátria do estado francês às Liberté-Égalité-Fraternité da República, que sempre a horrorizaram.
Durante a 2a guerra mundial, o Vaticano estava ciente do extermínio dos judeus pelos nazistas. Saber-se-á, após a guerra, que o papa diversas vezes esteve para fazer um pronunciamento público, mas que finalmente se absteve essencialmente pela sua comunistofobia e achando que uma vitória russa seria “pior”. No entanto ele chorou em 1942, junto às ruínas de Roma, bombardeada pelos aliados. Também ele se esquece de mencionar que o seu aliado político Mussolini tinha solicitado a Hitler para ter “a honra de participar dos bombardeamentos sobre Londres”, é verdade que o papa não habitava em Londres...
Ano de 1948
O papa declara que todo aquele que votar nos comunistas ou que ajudar esse partido de qualquer maneira será automaticamente excomungado. Essa medida divide as famílias, provoca exclusões socialmente intoleráveis para muitos e obriga à clandestinidade de numerosos comunistas nas zonas rurais.
Os curas italianos apressaram-se a traduzir essa decisão em fatos, e pedem que as suas ovelhas votem no grande partido anticomunista (DC – Democrazia Cristiana). O partido DC vai-se afundar logo em seguida na corrupção generalizada nos anos 90.
Ano de 1961
Última edição do índex (Índex Additus Librorum Prohibitorum), que cita como autores cujas obras são proibidas de leitura pelos católicos entre outros: Jean-Paul Sartre, Alberto Moravia, André Gide.
Anos 80
Depois de um período de aparente liberalização, o papa João Paulo II chega à cabeça da maior seita do mundo e rende-se às mais terríveis tradições da Igreja.
A sua condenação do preservativo, como modo de luta contra a Aids-Sida, provoca um grande número de mortos, difícil de estimar. Pratica uma política ativa de sabotagem às medidas de controle da natalidade no terceiro mundo. As conseqüências são difíceis de contabilizar, mas podem ser medidas em termos de fome, miséria, criminalidade e falta de assistência médica nos continentes mais pobres – América do Sul e África.
Na sua caça aos hereges, o papa suspende “A divinis”, dois teólogos alemães que tinham ousado duvidar, um da infalibilidade papal, e outro da imaculada concepção de Maria. (Nota 5)
Anos 90: guerras de religião na Iugoslávia
A Iugoslávia era, nos anos 80, uma das terras favoritas para férias balneares dos europeus. A publicidade iugoslava da época vendia o caráter multireligioso do país como um argumento turístico, pois se podia ver em Mostar e em outras belas cidades as mesquitas e as igrejas lado a lado. Mas o país se afundou numa série de guerras civis que se querem descrever como guerras “étnicas”, quando na verdade se tratam de guerras religiosas. O caso da guerra da Croácia é o mais flagrante. Sérvios e croatas têm a mesma origem étnica e até a mesma língua, o Croata-servo. O mais irônico é que o croata-servo (servo-croata, escrito em caracteres latinos), é hoje a língua oficial dos soldados do exército Iugoslavo que combateu em Kosovo contra a OTAN, depois de ter lutado contra os croatas no início dos anos 90. Mas a religião separa os croatas dos Sérvios: os croatas foram cristianizados por Roma e são católicos. Os sérvios foram cristianizados pelos bizantinos e são ortodoxos. Quando Milosevitch começa a agitar o espectro da “Grande Sérvia”, a Croácia declara a independência. Imediatamente o Vaticano e a R. F. da Alemanha, cujo chanceler se declarava um católico convicto, reconhecem a Croácia católica como estado independente. O Vaticano mandou para todo o mundo anúncios para que os países reconhecessem o novo estado católico. O papa multiplica os apelos, as preces e as missas pela independência da Croácia. Durante esse tempo, o ditador croata, antigo oficial superior do regime comunista e também católico praticante, deu férias para todos os seus funcionários ortodoxos, isto é, sérvios. Depois escolheu como bandeira nacional a antiga insígnia dos Oustachis, que entre 1940 e 44 tinham praticado um genocídio de cerca de 600.000 sérvios. A guerra civil iniciou-se.
Finalmente termina essa guerra, e o papa beatifica o cardeal Stepinac que havia qualificado Ante Palevitc, o ditador Oustachi durante a ocupação de 1940/44, de “Dom de deus”, para a Croácia e o havia apoiado ativamente.
A guerra da Iugoslávia continuou depois na Bósnia, onde os membros dos três grupos religiosos (ortodoxos, muçulmanos e católicos) se enfrentaram em uma série de combates triangulares, tendo a população civil como a principal vítima. Depois a guerra passou para o Kosovo, província agrícola sem interesse estratégico, e todos sabemos o que se passou.
As guerras da Iugoslávia são um caso emblemático da catastrófica intolerância que é típica das religiões “reveladas”: as comunidades religiosas se enfrentam, neste final de século, em nome de religiões que elas receberam dos acasos da expansão dos diversos impérios (Romano, Bizantino e Otomano) desde a idade-média.
quinta-feira, 5 de novembro de 2009
Sumido
Estou meio sumido, mas continuo chato no Facebook. rsrsrsrsrsrs Minha amiga aderiu a causa "Permita Deus na Escola". Tem um time bom pra discutir comigo. Mais de 1 milhão de pessoas. rsrsrsrsrsrsrsrsrsrsrs
Patrícia joined the cause:
terça-feira, 6 de outubro de 2009
sexta-feira, 2 de outubro de 2009
quinta-feira, 1 de outubro de 2009
quarta-feira, 30 de setembro de 2009
domingo, 27 de setembro de 2009
Luto
Tenho verdadeira admiração por muito pouca gente neste mundo. Seu João, pai da minha primeira namorada era uma dessas pessoas. Impossível descrever tanta nobreza e caráter em um post. Soube da sua morte ontem e apesar de não ter tido mais contato com ele nos últimos anos fiquei triste de verdade. Penso que se conseguir ser metade do pai que ele foi já me dou por satisfeito.
terça-feira, 22 de setembro de 2009
Blogueiro chorão
Escrever o último post me foi extremamente doloroso. Clicar no botão publicar postagem me deu vontade de chorar. Lembrei de como minha cabeça era criativa para criar para mim mesmo armadilhas, desculpas e mais desculpas para adiar a única solução possível para essa doença, que é não chegar perto do primeiro gole. Ver um amigo que prezo tanto não conseguir dar este passo dói. Se ele realmente não tem consciência disso ou não entender o porque, dói ainda mais... Chorei e chorando vou dormir.
Vela acesa
Tem uma analogia que eu gosto muito sobre o alcoolismo que é a da vela apagada. Diz-se que o alcoólatra que pára de beber pode ser comparado com uma vela que ficou acesa um tempo e foi apagada. Se ele voltar a beber é como se a vela fosse acesa novamente e voltasse a queimar do mesmo ponto, porque evidentemente ela não se recompõe, não volta ao tamanho original.Do mesmo modo, pessoas que passam muitos e muitos anos sem beber nada, quando tem uma recaída passam a beber na mesma intensidade de quando pararam. Se me permitem, farei um adendo à tal analogia. O riscar do fósforo equivale ao famoso primeiro gole, mas tem um curto espaço de tempo ao se acender de novo uma vela que a chama fica pequenininha, pequenininha. Por um instante ela é tão pequena que ficamos na dúvida se ela realmente acenderá... Pensei nisso ao ver um amigo alcoólatra e dependente químico de muitos anos com um copo de Whisky na mão. Um copo, dois copos, não interessa. A chama está lá e a vela não volta jamais ao tamanho original, infelizmente...
Verdade...
Não posso escolher como me sinto, mas posso escolher o que fazer a respeito.
William Shakespeare
William Shakespeare
domingo, 20 de setembro de 2009
DDA
Boa a idéia de eliminar os boletos impressos, né? Legal, a gente recebe os boletos eletronicamente e paga eletronicamente sem usar nenhum papel. Melhor para o planeta... Como bancos não são ONG´s e estão fazendo propaganda em grande escala do novo serviço, com certeza vão sair ganhando, e muito !!! Não vão precisar imprimir e enviar os tais boletos, certo? A pergunta que eu faço é a seguinte: E nós, quanto vamos economizar? Na prática muita gente vai receber o boleto on-line, pagar e imprimir o documento com medo dele se perder. Diz a propaganda que o comprovante de pagamento poderá ser guardado no computador pessoal ou no servidor da empresa. Se o computador der pau, então fico sem os meus comprovantes de pagamento? Mesmo COM os comprovantes em mãos muitas vezes temos problemas! E comprovantes temos que guardar 5 anos, não é mesmo? Se meu windows não der pau no próximos 5 anos corro pelado a Av. Paulista de ponta a ponta... Bancos são ótimos vendedores de benefícios para eles próprios. Sei que é muito seguro hoje em dia fazer pagamentos on-line, que a gente entra no site, imprime o comprovante que quiser, etc, etc, etc. Mas a RESPONSABILIDADE de guardar os comprovantes continuará sendo minha, não é não??? Vou ter a GARANTIA que os bancos vão guardar meus comprovantes por 5 anos e que vou ter acesso a eles? A questão chave aqui é a seguinte: Se eu tiver que me resguardar e imprimir os tais boletos e comprovantes eu próprio, os bancos estarão terceirizando a responsabilidade da impressão e envio, continuarão cobrando pelo serviço, economizarão bilhões e nós, como sempre, pagaremos a conta em nome do "benefício" que eles estão oferecendo "totalmente sem custo adicional". Ou o serviço vai ficar mais barato? Vão continuar cobrando R$ 5,00 pelo boleto?
Neuronio lunático
Pink: O que voce vai fazer depois de dominar o mundo?
Cérebro: Meu próximo passo será pequeno para um neuronio, mas um grande passo para a humanidade...
Cérebro: Meu próximo passo será pequeno para um neuronio, mas um grande passo para a humanidade...
Inspiração

Estava sem inspiração e fui dar uma olhada nos quadros do Matisse. Acabei descobrindo onde ele achava a dele...
quarta-feira, 16 de setembro de 2009
segunda-feira, 14 de setembro de 2009
Conta de banqueiro
Limite de crédito cartão: R$ 250,00
Total da fatura de agosto: R$ 217,00
Total da fatura de setembro: R$ 216,00
Item da fatura de setembro: Tarifa de excesso de limite R$ 10,00
No Bradesco, quando acontece uma mágica dessas na sua fatura e você vai até a agência e pergunta o que é a tal da tarifa o funcionário te manda ligar pro número que consta na fatura, aquele 4002-alguma-coisa do TELEFONE DA AGÊNCIA.
Resposta: Seu limite é 250,00. Voce havia gasto 217,00. Fecharam a fatura no dia 01 para pagamento dia 10. No dia 06 você gastou 23,00 na padaria. Deu 240,00. Como voce tinha uma parcela de 36,00 a vencer somou-se 276,00, portanto excedeu o limite.
VENHO A PÚBLICO AGRADECER O BANCO BRADESCO QUE ME COBROU 10,00 DE TARIFA PARA QUE EU PUDESSE GASTAR 23,00 NA PADOCA 4 DIAS ANTES DO PAGAMENTO DA MINHA FATURA, QUE ALIÁS É DEBITADA EM CONTA PARA QUE EU NÃO ATRASE E NENHUM CAIXA TENHA O TRABALHO DE RECEBER. REALMENTE R$ 108,00 ANUAIS DE TARIFA PARA ME LIBERAREM R$ 250,00 DE CRÉDITO É MUITO POUCO PARA UM BANCO COM UM ATENDIMENTO TÃO BOM !!! DESDE JÁ DESCULPO AS 3 VEZES QUE FIZ DEPÓSITOS EM DINHEIRO NO CAIXA ELETRÔNICO DENTRO DO HORÁRIO BANCÁRIO E ELES NÃO FORAM EFETIVADOS NO MESMO DIA... TAMBÉM, COM CORRENTISTAS PAGANDO TÃO POUCO DE TARIFA NÃO DÁ PRA FICAR CONTRATANDO FUNCIONÁRIOS... POR ENTENDER AS DIFICULDADES PELAS QUAIS O BANCO ESTÁ PASSANDO COMUNICO QUE JÁ ESTOU PROVIDENCIANDO AS ALTERAÇÕES NOS DÉBITOS AUTOMÁTICOS PARA QUE SEJAM FEITOS NO ITAÚ E APÓS O PAGAMENTO DA PRÓXIMA FATURA DO CARTÃO ENCERRAREI A CONTA CORRENTE E O PRÓPRIO CARTÃO, CONFORME AS INSTRUÇÕES DA FUNCIONÁRIA DA AGÊNCIA. A ÚNICA INFORMAÇÃO PERTINENTE QUE ELA TEVE TEMPO E DISPOSIÇÃO PARA ME DAR, INCLUSIVE....
Total da fatura de agosto: R$ 217,00
Total da fatura de setembro: R$ 216,00
Item da fatura de setembro: Tarifa de excesso de limite R$ 10,00
No Bradesco, quando acontece uma mágica dessas na sua fatura e você vai até a agência e pergunta o que é a tal da tarifa o funcionário te manda ligar pro número que consta na fatura, aquele 4002-alguma-coisa do TELEFONE DA AGÊNCIA.
Resposta: Seu limite é 250,00. Voce havia gasto 217,00. Fecharam a fatura no dia 01 para pagamento dia 10. No dia 06 você gastou 23,00 na padaria. Deu 240,00. Como voce tinha uma parcela de 36,00 a vencer somou-se 276,00, portanto excedeu o limite.
VENHO A PÚBLICO AGRADECER O BANCO BRADESCO QUE ME COBROU 10,00 DE TARIFA PARA QUE EU PUDESSE GASTAR 23,00 NA PADOCA 4 DIAS ANTES DO PAGAMENTO DA MINHA FATURA, QUE ALIÁS É DEBITADA EM CONTA PARA QUE EU NÃO ATRASE E NENHUM CAIXA TENHA O TRABALHO DE RECEBER. REALMENTE R$ 108,00 ANUAIS DE TARIFA PARA ME LIBERAREM R$ 250,00 DE CRÉDITO É MUITO POUCO PARA UM BANCO COM UM ATENDIMENTO TÃO BOM !!! DESDE JÁ DESCULPO AS 3 VEZES QUE FIZ DEPÓSITOS EM DINHEIRO NO CAIXA ELETRÔNICO DENTRO DO HORÁRIO BANCÁRIO E ELES NÃO FORAM EFETIVADOS NO MESMO DIA... TAMBÉM, COM CORRENTISTAS PAGANDO TÃO POUCO DE TARIFA NÃO DÁ PRA FICAR CONTRATANDO FUNCIONÁRIOS... POR ENTENDER AS DIFICULDADES PELAS QUAIS O BANCO ESTÁ PASSANDO COMUNICO QUE JÁ ESTOU PROVIDENCIANDO AS ALTERAÇÕES NOS DÉBITOS AUTOMÁTICOS PARA QUE SEJAM FEITOS NO ITAÚ E APÓS O PAGAMENTO DA PRÓXIMA FATURA DO CARTÃO ENCERRAREI A CONTA CORRENTE E O PRÓPRIO CARTÃO, CONFORME AS INSTRUÇÕES DA FUNCIONÁRIA DA AGÊNCIA. A ÚNICA INFORMAÇÃO PERTINENTE QUE ELA TEVE TEMPO E DISPOSIÇÃO PARA ME DAR, INCLUSIVE....
Metamorfose itinerante
Ter uma opinião formada sobre determinado assunto e ser enfático na defesa do que acredito faz com que as pessoas pensem que sou intransigente, que não mudo de opinião. Acontece que tenho mudado de opinião cada vez mais e mais rápido sobre um monte de coisas e de pessoas. A principal atitude que aprendi vencendo o alcoolismo é mudar meu jeito de pensar e de agir. Posso perfeitamente fazer hoje uma coisa que achava inconcebível há muito pouco tempo. Mudo meu modo de PENSAR. Percebo as barreiras, os medos, os pré-conceitos, ou seja, os motivos que me faziam pensar e agir de tal e qual maneira e MUDO. As pessoas muitas vezes estranham, acham que estão falando com uma outra pessoa diferente daquela que conheciam. Vejo na cara delas o espanto, até me divirto com isso. Acho que a única forma de ser independente é não ser escravo de si mesmo...
2 caracteres
Uma amiga disse pra Cris que o que está na moda é o twitter e que 150 caracteres são mais que suficientes para escrever o que quer que seja e portanto os blogs seriam inúteis. O que falta pra ela pode ser descrito com apenas 2 caracteres: QI.
sexta-feira, 11 de setembro de 2009
Profecia
Bem no comecinho deste blog, mais precisamente no dia 05 de outubro de 2008 escrevi o seguinte:
"Eu tô mesmo é lascado... Se for escrever tudo que vier à cabeça... Ainda não escrevi nem sequer uma linha sobre política, religião ou futebol. Polemizar, ainda que comigo mesmo, é um esporte que aprecio. E minhas opiniôes sobre esses temas, são, digamos assim, pouco ortodoxas. Deixa pra lá por enquanto. Não sou eu quem vai começar as provocações..."
O post recebeu o seguinte comentário da Vera:
"Timãooooooo... ê ô!!! Timão...Ê Ô !!!!
;-)
Muito em breve vc vai ver que polemizar as vezes é até legal! E que nada como um bloguinho prá vc poder divagar sobre o que realmente bem entender e, se o povo não gostar, que morda o pé da mesa, pq na sua casa quem manda é VC ! hehehe
Bjks!!!"
Assumo que uma parte era mentira. Eu mesmo que cutuco... Demorou quase 1 ano para ela própria morder uma isca... kkkkkkk E eu como não sou bobo nem nada segui à risca os conselhos dela...
"Eu tô mesmo é lascado... Se for escrever tudo que vier à cabeça... Ainda não escrevi nem sequer uma linha sobre política, religião ou futebol. Polemizar, ainda que comigo mesmo, é um esporte que aprecio. E minhas opiniôes sobre esses temas, são, digamos assim, pouco ortodoxas. Deixa pra lá por enquanto. Não sou eu quem vai começar as provocações..."
O post recebeu o seguinte comentário da Vera:
"Timãooooooo... ê ô!!! Timão...Ê Ô !!!!
;-)
Muito em breve vc vai ver que polemizar as vezes é até legal! E que nada como um bloguinho prá vc poder divagar sobre o que realmente bem entender e, se o povo não gostar, que morda o pé da mesa, pq na sua casa quem manda é VC ! hehehe
Bjks!!!"
Assumo que uma parte era mentira. Eu mesmo que cutuco... Demorou quase 1 ano para ela própria morder uma isca... kkkkkkk E eu como não sou bobo nem nada segui à risca os conselhos dela...
terça-feira, 8 de setembro de 2009
Desabafo
Na próxima vez que eu for encontrar minhas amigas no Blooming, vou sair na Giovanni Gronchi, acender meu Marlboro e gritar: SERRA FILHO DA PUTA !!! RSRSRSRSRSRSRSRS
Post 403
No dia 03 de outubro este meu espaço completará 1 ano. Escrevi 403 posts contando com este. Mais de 1 por dia em média, portanto. Desde adolescente vinha convivendo com algum tipo de bloqueio, medo, não sei direito, de escrever. Quando comecei o blog o problema persistia. Muitas vezes fiquei horas pra conseguir escrever algumas poucas linhas. Sem entrar no mérito da qualidade, noto agora que o texto me flui. Penso e escrevo com muito mais facilidade que há 1 ano atrás e me sinto ótimo por isso. Não tenho nenhum objetivo específico com o blog, mas de alguma forma ele se tornou importante na minha vida.Além de aprender a escrever com mais facilidade, aprendi muito a respeito de mim mesmo com ele. Não arredo mais o pé daqui !!!
Post inelutável
Poderia simplesmente não regardir, mas retorquir, usar o próprio argumento de que o adversário se serviu, me é irresistível.
Ditaduras ou democracias podem ser mais liberais ou mais totalitárias. O que a Vera diz é que acha a medida totalitária. O que eu digo é que na democracia há mecanismos contra medidas totalitárias e nas ditaduras não. O presidente pode ser uma merda, mas foi eleito democraticamente. Podemos inclusive escrever abertamente que ele é uma merda sem maiores consequencias. Prefiro não poder fumar em um restaurante sabendo que esta é a vontade da maioria (não a opinião unânime) a ser preso no mesmo restaurante, com meu cigarrinho na mão, e levado para algum porão do DOPS para ser torturado por ser contra o governo de algum general. A lei em questão jamais pode ser chamada de DITATORIAL, mesmo sendo restritiva a um direito que os fumantes julgam ter, que é fumar em locais públicos. Qualquer lei que restrinja um direito, sofre resistência da parte atingida, principalmente no início da sua aplicação. Fumava-se em aviões e cinemas e hoje ninguém questiona mais a lei proibitiva. Faz parte do processo de amadurecimento LEEEEENTOOOOO a que me referi anteriormente. Já foi unânime a opinião de que fumar era charmoso. O charme foi se perdendo na medida em que as evidências científicas dos malefícios do tabagismo foram sendo divulgados para a maioria população. A mesma maioria que de maneira direta, através dos seus representantes eleitos se faz ouvir através da lei anti-fumo e isso é democrático. Toda esta discussão faz parte justamente do amadurecimento da sociedade como um todo. Pessoas com opiniões diferentes debatendo publicamente uma questão que envolve a todos. A Vera é uma das pessoas mais bem-educadas que eu conheço. São notórios seus comentários recheados de bom senso e serenidade quando me envolvo em polêmicas e faço posts provocativos.Acredito que mesmo ficando incomodada com a tal lei, se repensar as consequencias de longo prazo talvez mude de idéia. Transcrevo para ela uma parte mais extensa do pensamento do Nelsão, que prega a mudança através do pensamento, no final das contas:
"Na hora de odiar, ou de matar, ou de morrer, ou simplesmente de pensar os homens se aglomeram. (...) A opinião unânime está a um milímetro do erro, do equívoco, da iniqüidade. (...) Toda unanimidade é burra. Quem pensa com a unanimidade não precisa pensar." (Nélson Rodrigues)
Ditaduras ou democracias podem ser mais liberais ou mais totalitárias. O que a Vera diz é que acha a medida totalitária. O que eu digo é que na democracia há mecanismos contra medidas totalitárias e nas ditaduras não. O presidente pode ser uma merda, mas foi eleito democraticamente. Podemos inclusive escrever abertamente que ele é uma merda sem maiores consequencias. Prefiro não poder fumar em um restaurante sabendo que esta é a vontade da maioria (não a opinião unânime) a ser preso no mesmo restaurante, com meu cigarrinho na mão, e levado para algum porão do DOPS para ser torturado por ser contra o governo de algum general. A lei em questão jamais pode ser chamada de DITATORIAL, mesmo sendo restritiva a um direito que os fumantes julgam ter, que é fumar em locais públicos. Qualquer lei que restrinja um direito, sofre resistência da parte atingida, principalmente no início da sua aplicação. Fumava-se em aviões e cinemas e hoje ninguém questiona mais a lei proibitiva. Faz parte do processo de amadurecimento LEEEEENTOOOOO a que me referi anteriormente. Já foi unânime a opinião de que fumar era charmoso. O charme foi se perdendo na medida em que as evidências científicas dos malefícios do tabagismo foram sendo divulgados para a maioria população. A mesma maioria que de maneira direta, através dos seus representantes eleitos se faz ouvir através da lei anti-fumo e isso é democrático. Toda esta discussão faz parte justamente do amadurecimento da sociedade como um todo. Pessoas com opiniões diferentes debatendo publicamente uma questão que envolve a todos. A Vera é uma das pessoas mais bem-educadas que eu conheço. São notórios seus comentários recheados de bom senso e serenidade quando me envolvo em polêmicas e faço posts provocativos.Acredito que mesmo ficando incomodada com a tal lei, se repensar as consequencias de longo prazo talvez mude de idéia. Transcrevo para ela uma parte mais extensa do pensamento do Nelsão, que prega a mudança através do pensamento, no final das contas:
"Na hora de odiar, ou de matar, ou de morrer, ou simplesmente de pensar os homens se aglomeram. (...) A opinião unânime está a um milímetro do erro, do equívoco, da iniqüidade. (...) Toda unanimidade é burra. Quem pensa com a unanimidade não precisa pensar." (Nélson Rodrigues)
domingo, 6 de setembro de 2009
50 % + 1
Metade das pessoas mais uma formam a maioria em um grupo. Na democracia a vontade da maioria prevalece. Há uma série de mecanismos para se proteger as minorias, mas estes também foram aprovados pela MAIORIA. Algumas leis, inclusive, tem que ser aprovadas por 2/3 (66%) do congresso como forma de proteção. Se um grupo que forma 20% da população reivindicar o que quer que seja, mesmo assim terá que convencer a MAIORIA. Se o governador criar uma lei contrária ao interesse da MAIORIA, ela certamente será derrubada se a MAIORIA assim quiser. Se você fizer parte de um grupo qualquer que represente 49% da população sinta-se a vontade para convencer outros 1% +1 e aprovar ou derrubar a lei que achar necessária. Ditadura é quando UMA PESSOA ou uma MINORIA resolvem pela MAIORIA. Apesar de todas as imperfeições o modelo vai sendo aperfeiçoado LEEENTAAAAMEEEEENTE, mas garanto que viver aqui é melhor que no IRÃ...
Normal
A casa era o que se pode chamar de respeitável.Dois andares, preta, grandes janelas de vidro e acabamento em mármore. Quase esquina com a Rua Estados Unidos. Por dentro a decoração clássica, poltronas Luiz XV , paredes de madeira, coleções de livros antigos de medicina e cristaleiras. O chão sujo da sala, a garrafa de Coca-cola pet com água em cima da mesa e a frigideira velha em cima do sofá destoavam do ambiente respeitável. As duas TVs resumiam a história: Uma 29´´ nova na estante de madeira com a foto antiga preto e branca no porta retrato dourado. A outra ainda maior com acabamento em madeira, de seletor, jazia ao lado do sofá usada de mesinha. Morava sozinho e dormia sozinho no andar de cima. O quarto era um depósito de lixo com uma cama no meio. Fedia muito. Ninguém se atrevia a limpar aquilo há anos, mas de baixo da cama não sairia nenhum bicho-papão. A sensação de quem adentrava a casa era de que a cada passo ela ficava mais assustadora.
Ele, engenheiro de uma grande empresa estatal, parecia a casa. À primeira vista era normal e respeitável. Em 1 hora você estava dentro do filme Psicose, conversando com o protagonista.
Um dia ele parou o carro no portão. Metade do carro na calçada, metade na avenida movimentada. O carro que veio em alta velocidade arrastou tudo. Ele inclusive. E fugiu não se sabe como, porque o carro parado ficou totalmente destruído no meio da avenida.
Passado o susto e as escoriações, pensou: "Câmeras de segurança !!! O fugitivo deve ter sido filmado!!!".Pelas câmeras do hotel, do prédio, das casas. Virou idéia fixa. Ligou pra todos os vizinhos. "Não é possível, o Senhor não consegue recuperar as imagens pra mim??? Como assim foram apagadas ??? O prédio não guarda as filmagens nem 15 dias ???"
Mas o acontecido não saía da sua cabeça. "Se acontecer de novo vou pegar o desgraçado! Vou colocar minhas próprias câmeras!"
Ficou mais de uma hora perguntando cada detalhe da instalação. Ligou 6 ou 7 vezes até resolver todos os detalhes.
Demorou quarenta minutos tirando o lixo pra arrumar lugar pro computador onde iam ser gravadas as imagens.O posicionamento da camera do portão era o mais importante. Muda pra cá, muda pra lá, muda a lente pra focalizar a placa." Então... vai pegar a placa, você tem certeza???" Mais pra cima, mais pra baixo. Oito horas depois, PRONTO !!! Podia dormir tranquilo...
Estava preênchendo o cheque no portão, ao lado de um muro baixo. Comentei como quem não quer nada. "Fácil pular esse muro, né?"
Já me ligou 4 vezes atrás de uma empresa que instale concertina. Nunca mais mencionou a palavra câmera e desconfio que não tem dormido bem...
Ele, engenheiro de uma grande empresa estatal, parecia a casa. À primeira vista era normal e respeitável. Em 1 hora você estava dentro do filme Psicose, conversando com o protagonista.
Um dia ele parou o carro no portão. Metade do carro na calçada, metade na avenida movimentada. O carro que veio em alta velocidade arrastou tudo. Ele inclusive. E fugiu não se sabe como, porque o carro parado ficou totalmente destruído no meio da avenida.
Passado o susto e as escoriações, pensou: "Câmeras de segurança !!! O fugitivo deve ter sido filmado!!!".Pelas câmeras do hotel, do prédio, das casas. Virou idéia fixa. Ligou pra todos os vizinhos. "Não é possível, o Senhor não consegue recuperar as imagens pra mim??? Como assim foram apagadas ??? O prédio não guarda as filmagens nem 15 dias ???"
Mas o acontecido não saía da sua cabeça. "Se acontecer de novo vou pegar o desgraçado! Vou colocar minhas próprias câmeras!"
Ficou mais de uma hora perguntando cada detalhe da instalação. Ligou 6 ou 7 vezes até resolver todos os detalhes.
Demorou quarenta minutos tirando o lixo pra arrumar lugar pro computador onde iam ser gravadas as imagens.O posicionamento da camera do portão era o mais importante. Muda pra cá, muda pra lá, muda a lente pra focalizar a placa." Então... vai pegar a placa, você tem certeza???" Mais pra cima, mais pra baixo. Oito horas depois, PRONTO !!! Podia dormir tranquilo...
Estava preênchendo o cheque no portão, ao lado de um muro baixo. Comentei como quem não quer nada. "Fácil pular esse muro, né?"
Já me ligou 4 vezes atrás de uma empresa que instale concertina. Nunca mais mencionou a palavra câmera e desconfio que não tem dormido bem...
sábado, 5 de setembro de 2009
Dr. Alexandre
Depois de dar tanto trabalho, virou um orgulho esse meu menino...
Ralou pra caralho, se formou e virou um puta profissional. Montou uma puta clínica legal, comprou um puta carro... E continua o puta amigo de sempre.
Parabéns bobistico !!!
PS: Olha o site dele e vê se eu não tenho razão:
www.alexandrezuppo.com.br
Ralou pra caralho, se formou e virou um puta profissional. Montou uma puta clínica legal, comprou um puta carro... E continua o puta amigo de sempre.
Parabéns bobistico !!!
PS: Olha o site dele e vê se eu não tenho razão:
www.alexandrezuppo.com.br
Chupeta do capeta - O retorno
Brigado, amiga. voltou minha inspiração. Também ?! O comentário é maior que o post...kkkkkk
Se formos partir do princípio que as pessoas agem sempre com bom senso, qualquer lei seria inútil.No Brasil a situação é mais grave ainda. Aqui pensar no individual em detrimento do coletivo é a regra. Evidente que há pessoas que não saem baforando na cara dos outros, mas a lei é feita para coibir os que saem. Concordo que poderia haver um espaço exclusivo para isso em restaurantes, separado e com exaustão apropriada, por exemplo. Só que aí seria necessária uma regulamentação. Qual a área mínima, que tipo de sistema de exaustão, localização do fumódromo, etc. E para se fazer cumprir uma lei assim a fiscalização teria um trabalhão... A pergunta é: Porque a sociedade, cuja maioria da população é a favor da simples proibição de se fumar em locais públicos deveria arcar com o ônus de fiscalizar lugares e pessoas cujo hábito não traz sequer um único benefício, seja para o indivíduo, seja para a sociedade como um todo? Só o contrario. Custa uma furtuna em tratamento e vidas perdidas. Não acho radicalismo. Aplicando a mesma linha de raciocínio de não fazer mal aos outros um sujeito qualquer poderia esticar uma carreira de cocaína na mesa do bar que não teria problema nenhum. Mesmo porque o pó não sairia voando pelo ambiente pra entupir o nariz de ninguém. A sociedade cria regras pra proteger o indivíduo, não só para proteger o coletivo. Um exemplo é a lei que obriga usar cinto de segurança. Se eu bater o carro sem cinto o único prejudicado serei eu, mas não vi ninguém dizer que é uma lei radical. Não é radical o estado me obrigar a me proteger em um acidente e é radical o fumante não fumar em local público? Nos condomínios não se aplica o argumento que o não fumante pode fazer o que quiser. Não pode. Não pode ficar pelado, por exemplo. Porque o ambiente não é EXCLUSIVAMENTE DELE. É uma área comum a todos. Todo mundo sabe que o que vigora em qualquer condomínio é a balbúrdia, o último a ser consultado é o bom senso. São inúmeros os exemplos de ambientes comuns que poderiam gerar polêmica. Varandas, churrasqueiras, piscinas... E os condomínios cuja área comum é minúscula, mesmo que aberta. Não é tão simples. O que estou dizendo desde o outro post é que sou a favor do combate ao hábito de fumar, mesmo que eu próprio seja prejudicado na minha escolha. Fiquei pensando no condomínio que moramos, como teria sido bom se fosse proibido fumar, o cigarro custasse o triplo e se a lei que proibia a venda para menores fosse cumprida...
Se formos partir do princípio que as pessoas agem sempre com bom senso, qualquer lei seria inútil.No Brasil a situação é mais grave ainda. Aqui pensar no individual em detrimento do coletivo é a regra. Evidente que há pessoas que não saem baforando na cara dos outros, mas a lei é feita para coibir os que saem. Concordo que poderia haver um espaço exclusivo para isso em restaurantes, separado e com exaustão apropriada, por exemplo. Só que aí seria necessária uma regulamentação. Qual a área mínima, que tipo de sistema de exaustão, localização do fumódromo, etc. E para se fazer cumprir uma lei assim a fiscalização teria um trabalhão... A pergunta é: Porque a sociedade, cuja maioria da população é a favor da simples proibição de se fumar em locais públicos deveria arcar com o ônus de fiscalizar lugares e pessoas cujo hábito não traz sequer um único benefício, seja para o indivíduo, seja para a sociedade como um todo? Só o contrario. Custa uma furtuna em tratamento e vidas perdidas. Não acho radicalismo. Aplicando a mesma linha de raciocínio de não fazer mal aos outros um sujeito qualquer poderia esticar uma carreira de cocaína na mesa do bar que não teria problema nenhum. Mesmo porque o pó não sairia voando pelo ambiente pra entupir o nariz de ninguém. A sociedade cria regras pra proteger o indivíduo, não só para proteger o coletivo. Um exemplo é a lei que obriga usar cinto de segurança. Se eu bater o carro sem cinto o único prejudicado serei eu, mas não vi ninguém dizer que é uma lei radical. Não é radical o estado me obrigar a me proteger em um acidente e é radical o fumante não fumar em local público? Nos condomínios não se aplica o argumento que o não fumante pode fazer o que quiser. Não pode. Não pode ficar pelado, por exemplo. Porque o ambiente não é EXCLUSIVAMENTE DELE. É uma área comum a todos. Todo mundo sabe que o que vigora em qualquer condomínio é a balbúrdia, o último a ser consultado é o bom senso. São inúmeros os exemplos de ambientes comuns que poderiam gerar polêmica. Varandas, churrasqueiras, piscinas... E os condomínios cuja área comum é minúscula, mesmo que aberta. Não é tão simples. O que estou dizendo desde o outro post é que sou a favor do combate ao hábito de fumar, mesmo que eu próprio seja prejudicado na minha escolha. Fiquei pensando no condomínio que moramos, como teria sido bom se fosse proibido fumar, o cigarro custasse o triplo e se a lei que proibia a venda para menores fosse cumprida...
sexta-feira, 4 de setembro de 2009
Lei Anti-fumo
Sou um idiota de um fumante. Mas sou TOTALMENTE A FAVOR da lei anti-fumo. Não acho exagerada. Não se proibiu ninguém de fumar, só é proibido fumar em áreas comuns. Não é que não me atrapalhe quando quero dar aquela pitada. Atrapalha. Mas pensando a longo prazo, nas outras pessoas e PRINCIPALMENTE nos jovens, prefiro passar vontade. Talvez haja uma excessão (qual regra não tem?): Charutarias, acho que é esse o nome dos lugares CRIADOS PARA SE FUMAR. O bom senso me diz que alguém que se dirige pra um lugar desses vai para FUMAR. Ninguém vai pra lá tomar uma cervejinha... Mesmo assim entendo que no Brasil, país de espertinhos, tudo que é barzinho ia virar charutaria para driblar a lei. Infelizmente os bem intencionados pagam pelos aproveitadores de plantão. Tem mais uma coisa que gostaria de registrar aqui: O cigarro é caro. O que eu gasto com cigarro daria pra pagar uma prestação de um carro, acho. Mas deveria custar PELO MENOS O DOBRO. O raciocínio aqui é o mesmo. Eu até ia me ferrar, mas pensando na molecada...
quinta-feira, 3 de setembro de 2009
G.
Como sou uma pessoa insuportável não venderei meu blog para o google. Nada de adsense. Anúncios esdrúxulos ao lado dos meus posts incríveis? Nem pensar. E um blog com uma foto tão bem produzida da minha cara de Nelson Rodrigues bêbado em começo de carreira com o cigarro do lado contrário na boca quanto vale? Milhões!!! Não 1 centavo de dólar por clique !!! Pra falar a verdade não vendo meu blog por dinheiro nenhum. Prefiro me expor nu em alguma revista masculina !!! Mesmo assim não abro mão do cigarro no canto da boca e exigirei em contrato que a chamada de capa seja: MARCELICKS, 38 ANOS. CORPINHO DE 37 !!!
38
Que idade sem graça. Não vejo a hora de completar 40 e começar logo a segunda metade da minha vida...
quinta-feira, 27 de agosto de 2009
Tendências - Versão explicativa
Minha intenção com o primeiro post Tendências não era chamar as mulheres de burras. O que eu quis dizer, em primeiro lugar é que essas "tendências" são fabricadas artificialmente. Há toda uma indústria que gira em torno delas. Não é possível vender sempre a mesma roupa, nem o mesmo modelo de sapato, a mesma tintura pro cabelo e o mesmo esmalte, né? São os fabricantes, as revistas, as novelas... Uma marca paga milhões para o artista vestir um modelo X de roupa, anuncia em N revistas, sites, blogs, etc e CRIA a "tendência". Comprar 80 sapatos não é sinônimo de se cuidar. Em segundo lugar vejo a indústria da "beleza e estética" criando uma situação em que as mulheres só são valorizadas se forem jovens, magras, bonitas, sexy, etc, etc, etc. Não vejo problema algum em cuidar do corpo, o que vejo é um exagero absurdo da valorização daquelas características em detrimento de outras que considero muito mais importantes, como a honestidade, o caráter, a pessoa se sentir bem como ela é e poder envelhecer naturalmente. Cada idade tem uma beleza diferente e uma barriguinha não é o fim do mundo. Vejo as mulheres neuróticas com a aparência, deixando de comer, literalmente, ou comendo que nem loucas e arrancando a gordura "na faca", arriscando a vida, a saúde física e mental por causa das imposições criadas pelas "tendências". As pessoas de modo geral, não só as mulheres, estão com os valores deturpados, na minha opinião. Escreveria um post de 200 laudas a respeito, mas o horário não me permite. Amanhã tenho muito trabalho a fazer pra poder comprar meu Asics Gel Nimbus 15...
Tendências - Versão chata e politicamente correta
A moda é cíclica. Muito do que parece vanguarda é repetição do que já foi usado em outros tempos.
Cabelos- O corte Channel é um clássico. Nunca sai de moda.
Unhas - As variações de vermelho são sempre bem-vindas. Em todos os tempos.
Calçados- Não é usual usar bota no verão.
Estética Facial - Será que vale mesmo a pena passar por tratamentos duvidosos e arriscar a própria saúde, quiçá a vida, em troca de uma "retocada" no visual?
Cabelos- O corte Channel é um clássico. Nunca sai de moda.
Unhas - As variações de vermelho são sempre bem-vindas. Em todos os tempos.
Calçados- Não é usual usar bota no verão.
Estética Facial - Será que vale mesmo a pena passar por tratamentos duvidosos e arriscar a própria saúde, quiçá a vida, em troca de uma "retocada" no visual?
segunda-feira, 24 de agosto de 2009
Tendências
A tendência para este verão, no que tange a moda, é se vestir bem parecida com as outras mulheres e retirar do armário da vó o que ela usava há trinta anos para ficar bem parecida com as mulheres modernas da sua época, estas sim revolucionárias.
No que diz respeito aos cabelos sou mero espectador, então copiei adjetivos de um blog especializado: Longos ou curtos.Ondulados ou lisos. Estilo chanel (novidade quentíssima essa, diga-se de passagem)Loura ou castanho ou cobre ou vermelho e mechas idem. As franjas variam bastante.
Unhas: essa foi fácil, foi só ler o slogan de um anúncio que está em tudo que é revista feminina (SIM, Marcelicks lê até bula de remédio): OS SETE VERMELHOS CAPITAIS.Tô pra ver o dia que vou ler um slogan do tipo: VERDE MUSGO MARCANTE...
Calçados: As botas, tanto as de cano alto, como as baixas cairão em desuso no verão. Principalmente nos meses de janeiro e fevereiro. Serão praticamente banidas do litoral norte e sul de todos os estados acima do trópico de capricórnio.
Estética facial: entrará na moda o mais novo e revolúcionário produto de nome estrangeiro e procedência idem, caríssimo, de dificílima aplicação, tanto que só profissionais hiper-gabaritados e que cobram uma fortuna poderão usá-lo com segurança, como visto em tantas atrizes e famosas, que delas nada cobraram. De fato, devido ao alto grau de eficácia do produto em mão erradas, algumas mulheres amanhecerão sem os narizes, mas tal risco mais que compensará para enganar outras 2 mulheres a uma distância de 70 metros, parecendo para elas 2 meses mais jovem do que diz o RG escondido em algum cofre. Porque ter uma boca que se mexe afinal, se não se tem muito o que falar?
No que diz respeito aos cabelos sou mero espectador, então copiei adjetivos de um blog especializado: Longos ou curtos.Ondulados ou lisos. Estilo chanel (novidade quentíssima essa, diga-se de passagem)Loura ou castanho ou cobre ou vermelho e mechas idem. As franjas variam bastante.
Unhas: essa foi fácil, foi só ler o slogan de um anúncio que está em tudo que é revista feminina (SIM, Marcelicks lê até bula de remédio): OS SETE VERMELHOS CAPITAIS.Tô pra ver o dia que vou ler um slogan do tipo: VERDE MUSGO MARCANTE...
Calçados: As botas, tanto as de cano alto, como as baixas cairão em desuso no verão. Principalmente nos meses de janeiro e fevereiro. Serão praticamente banidas do litoral norte e sul de todos os estados acima do trópico de capricórnio.
Estética facial: entrará na moda o mais novo e revolúcionário produto de nome estrangeiro e procedência idem, caríssimo, de dificílima aplicação, tanto que só profissionais hiper-gabaritados e que cobram uma fortuna poderão usá-lo com segurança, como visto em tantas atrizes e famosas, que delas nada cobraram. De fato, devido ao alto grau de eficácia do produto em mão erradas, algumas mulheres amanhecerão sem os narizes, mas tal risco mais que compensará para enganar outras 2 mulheres a uma distância de 70 metros, parecendo para elas 2 meses mais jovem do que diz o RG escondido em algum cofre. Porque ter uma boca que se mexe afinal, se não se tem muito o que falar?
Por outro lado...
Diz o ditado que de médico e de louco todo mundo tem um pouco. Engraçado... de médico não tenho nada.
o fim
Do berro nasceu.
Pensou e foi ser.
Nas retas, seguiu sendo.
Nas curvas, virou lendo.
Lendo e aprendendo.
Aprendendo, caiu.
Ao cair, machucou-se.
Machucado, levantou-se.
Recuperado, morreu.
Enterrado, apodreceu.
Pinky: Ahh?!?
Cérebro: Dominaremos o mundo !!! Do besteirol...
Pensou e foi ser.
Nas retas, seguiu sendo.
Nas curvas, virou lendo.
Lendo e aprendendo.
Aprendendo, caiu.
Ao cair, machucou-se.
Machucado, levantou-se.
Recuperado, morreu.
Enterrado, apodreceu.
Pinky: Ahh?!?
Cérebro: Dominaremos o mundo !!! Do besteirol...
domingo, 23 de agosto de 2009
Mito da caverna de Platão

Imagine um grupo de pessoas que habita o interior de uma caverna subterrânea, estando todas de costas para a entrada da caverna e acorrentadas pelo pescoço e pés, de sorte que tudo o que vêem é a parede da caverna. Atrás delas ergue-se um muro alto e por trás desse muro passam figuras de formas humanas sustentando outras figuras que se elevam para além da borda do muro. Como há uma fogueira queimando atrás dessas figuras, elas projetam sombras na parede da caverna. Assim, a única coisa que as pessoas da caverna podem ver é este “teatro de sombras”. E como essas pessoas estão ali desde que nasceram, elas acham que as sombras que vêem são a única coisa que existe. Imagine agora que um desses habitantes da caverna consiga se libertar daquela prisão. Primeiramente ele se pergunta de onde vêm aquelas sombras projetadas na parede da caverna. Depois consegue se libertar dos grilhões que o prendem. E o que acontece quando ele se vira para as figuras que se elevam para além da borda do muro? Primeiro, a luz é tão intensa que ele não consegue enxergar nada. Depois, a precisão dos contornos das figuras, de que ele até então só vira as sombras, ofusca a sua visão. Se ele conseguir escalar o muro e passar pelo fogo para poder sair da caverna, terá mais dificuldade ainda para enxergar devido à abundância de luz. Mas depois de esfregar os olhos, ele verá como tudo é bonito. Pela primeira vez verá cores e contornos precisos; verá animais e flores de verdade, de que as figuras na parede da caverna não passam de imitações baratas. Suponhamos, então, que ele comece a se perguntar de onde vêm os animais e as flores. Ele vê o Sol brilhando no céu e entende que o Sol dá vida às flores e aos animais da natureza, assim como também era graças ao fogo da caverna que ele podia ver as sombras refletidas na parede. Agora, o feliz habitante das cavernas pode andar livremente pela natureza, desfrutando da liberdade que acabara de conquistar. Mas as outras pessoas que ainda continuam lá dentro da caverna não lhe saem da cabeça. E por isso ele decide voltar. Assim que chega lá, ele tenta explicar aos outros que as sombras na parede não passam de trêmulas imitações da realidade. Mas ninguém acredita nele. As pessoas apontam para a parede da caverna e dizem que aquilo que vêem é tudo o que existe; é a única verdade que existe; é a realidade. Por fim, acabam matando aquele que retornou para dizer-lhes um monte de "mentiras".Paulo A. Duarte
A alegoria da caverna me fez pensar esses dias como é difícil se libertar das amarras da ignorância e que ao fazê-lo é impossível voltar ao estado original. Uma idéia que me ocorreu hoje foi comparar as sombras da alegoria com as imagens da televisão. Já repararam como as pessoas ficam alienadas e presas a uma realidade falsa na frente da telinha? Há pessoas que chegam a hostilizar atores que fazem papel de vilão em novela... Mas o pior não é nem isso. Hoje, é como se as sombras de Platão fossem cuidadosamente manipuladas e intencionalmente fabricadas com a intenção de direcionar nosso comportamento. Sombras magras, lindas e felizes consomem toda sorte de produtos inúteis dioturnamente diante de nossos olhos em comerciais. Tem muita gente interessada em manter a maioria das pessoas em suas caverninhas...
quinta-feira, 20 de agosto de 2009
Tarefa de casa
Bom... uma hora e meia, 5 posts. Nada mal pra uma quarta. Tirei o atraso e posso ir ver o tributo ao Raul no Morrison amanhã... Boa noite.
Ia-bah-dah-bah-duuuuuuuuuuuuuuuhhhhhh
A Cris brincou comigo que eu era o Homem das Cavernas porque tinha um celular Motorola CDMA antigo. Na verdade nem celular o Gordinho tinha. Aquele me apoderei do ex-sogro por uso capião. Ela foi comigo comprar um Samsung mais bacaninha, mas mesmo assim ela olhava pro coitado com certo desprezo. Hoje instalei um aplicativo para Windows Mobile no meu novo iPAQ Business Navigator que usa o GPS interno para dar as coordenadas exatas de posição, velocidade e distância percorrida das minhas corridas em tempo real. Dou STOP e descarrego automaticamente via 3G o treino que fica imediatamente acessível no site, já com a percurso no Google Maps. Depois do alongamento posso dar uma olhada nas câmeras que eu instalo ao vivo, checar os e-mails ou dar uma navegada, tirar uma foto com flash ou só gritar Criiiiiiiiiiiiiiiis que ele liga pra ela pelo comando de voz.Agora só preciso perder a mania de arrastá-la pelos cabelos...
Meta
Vou construir uma empresa de RESPEITO. Pode não ser a maior, nem a mais lucrativa, nem a mais bonita, nem a mais inovadora. Mas vai tratar os clientes com RESPEITO. Os funcionários com RESPEITO. Os fornecedores com RESPEITO. E vai EXIGIR ser tratada com o RESPEITO que dela emanará.
Dupla separação
Me separei, voltei e me separei de novo em 1 ano. A Flávia me falou coisas que considerei humilhantes na primeira ocasião e joguei isso na cara dela agora. Ela me disse: "Mas não falei nada disso na segunda vez". É verdade mesmo. Talvez o que ela não entenda é que a SEGUNDA separação foi a que doeu. Da primeira vez ela separou foi do Gordinho...
Marcelicks, líder em construção
Sempre brinco com a morte do Gordinho, aquela pessoa que eu havia me tornado. É só um modo de expressar uma mudança que é muito mais profunda do que a aparência física. Tenho construído uma nova personalidade, às vezes sem perceber, mas muitas vezes deliberadamente. Conscientemente. Diante de uma situação nova consigo enxergar como o Gordinho agiria. Vejo seus antigos medos e os supero. E cada ação nova me transforma ainda mais. Para não ficar só no nível das conjecturas, vou dar um exemplo prático: Resolvi um problema esta semana na base da ameaça. Fui na casa do sujeito 11 da noite e ameacei prejudicá-lo bastante. De peito aberto. Na manhã seguinte estava na loja dele cumprindo o prometido. Na mesma tarde o problema já estava resolvido, depois de 2 semanas de lenga-lenga. Parece besteira, mas o Gordinho preferiria 1 semana a mais de espera a um conflito aberto. Durante um tempo eu achava que eu estaria me transformando naquela pessoa que eu deveria ter sido, se não tivesse passado 15 anos me escondendo no alcoolismo. Não é verdade. Sou hoje uma pessoa MUITO MELHOR. Aprendi que certas decisões são dolorosas pra mim e para terceiros, mas têm que ser tomadas. Nem tudo se resolve na base da diplomacia e pronto. E me sinto apto a enfrentar as CONSEQUENCIAS dessas minhas decisões. Lembro de uma avaliação que fiz criança ainda que dizia que eu era um líder nato. Discordo. Liderança se constrói. Talvez o que já me fosse inato fosse o poder de observação, mas liderança é feita de AÇÃO, e agir não era com o Gordinho.
terça-feira, 18 de agosto de 2009
sexta-feira, 14 de agosto de 2009
Comunicado
Apesar da nota de falecimento ter sido publicada neste mesmo blog, pessoas mal informadas continuam achando que Marcelicks ainda guarda traços do Gordinho, e por isso agem e falam como se fosse com o falecido. Comunico a estas pessoas que o idiota do Gordinho foi decaptado, mutilado, queimado e suas cinzas foram jogadas no lixão de Carapicuíba, lugar de onde jamais deveria ter saido. Desta morte surgiu Marcelicks e seus 2 neuronios turbinados. Quem tenta enganá-los pode acabar tendo mesmo fim do Gordinho. Ou pior...
domingo, 2 de agosto de 2009
Retórica
Pink: Tudo isso aí em baixo pra fazer uma críticazinha?
Cérebro: Condizente com nosso plano de dominar o mundo...
Cérebro: Condizente com nosso plano de dominar o mundo...
Patrimônio, capital, crítica e foco
Quando nós falamos em patrimônio ou capital o que primeiro nos vem à cabeça é o dinheiro. Este é volátil, muda de mãos com uma rapidez absurda. O patrimônio construido baseado no respeito, na ética, sem cair na tentação de usar o caminho aparentemente mais rápido, justamente por ser construido em cima de base sólida, não é facilmente transferível. Esse patrimônio aliado ao acúmulo de capital intelectual gera crescimento inevitável. E a longo prazo não há investimento mais sólido. Vivi o último ano orientado por essas premissas e começo a ver os resultados. Poderia citar exemplos, tanto na vida pessoal como profissional de situações em que a escolha do caminho foi o do mais árduo e por vezes até contra o senso comum, mas acho desnecessário. Prefiro que meus atos falem por si só. Um dos pontos que muitas vezes me chamam a atenção é em função da crítica que faço algumas vezes do comportamento alheio. Tenho me policiado para não ser enfático demais em meus comentários para que estes não sejam vistos como críticas desnecessárias, mesmo que pra mim sejam sempre críticas construtivas. E garanto que o são. Por exemplo: Vejo pessoas que reclamam da atual condição com problema de foco. Se aplicacem metade do esforço que fazem em benefício do projeto de terceiros com certeza não estariam reclamando...
terça-feira, 28 de julho de 2009
Taca fogo em tudo
Sério... qualquer coisa que eu fosse escrever hoje sobre qualquer pessoa, coisa ou situação seria ofensivo e desagradável. Inclusive se falasse de mim mesmo. Vou dormir e sonhar que sou Nero.
Injúria, calúnia e difamação
Cérebro: Vou escrever tudo o que se passa aqui na cabeça dele e vamos dominar o mundo!!!
Pinky: Este plano bem que pode dar certo...
MARCELICKS: Olha só em quem meus 2 neurônios se transformaram... Gostei do plano de dominar o mundo, mas se vocês escreverem o que se passa por aqui teremos problemas.
Cérebro: Que se dane, escreve tudo e vamos dominar o mundo!!!
Pinky: Acho que ele não quer dominar o mundo sem os poucos amigos que ainda tem...
MARCELICKS: Tenho é medo das ações judiciais...
Pinky: Este plano bem que pode dar certo...
MARCELICKS: Olha só em quem meus 2 neurônios se transformaram... Gostei do plano de dominar o mundo, mas se vocês escreverem o que se passa por aqui teremos problemas.
Cérebro: Que se dane, escreve tudo e vamos dominar o mundo!!!
Pinky: Acho que ele não quer dominar o mundo sem os poucos amigos que ainda tem...
MARCELICKS: Tenho é medo das ações judiciais...
domingo, 26 de julho de 2009
Pinky

Um dos meus neurônios me diz que tem gente que acha que temos cara de palhaço. Sei não, acho que deve ser o nariz vermelho...
sábado, 25 de julho de 2009
Estacionamento
Com a tal da crise o governo tomou medidas super inteligentes para salvar a economia. A que deu mais resultado foi a redução do IPI dos carros. A indústria automobilística vendeu como nunca!!! Em São Paulo temos o rodízio que tira 20% dos carros de circulação. Com um monte de carros a mais podemos aumentar o rodízio para 2 dias da semana... Depois 3 e assim por diante. Em pouco tempo podemos dar mais uma bombada na indústria automobilística e fazer de São Paulo um gigantesco estacionamento. Neste caso teremos que reduzir o IPI dos fabricantes de sola de sapato...
quinta-feira, 23 de julho de 2009
Blog de Pablo
Paulo me disse que faria um blog, mas não tem tempo... Pena. Fiquei curioso pra saber o que sairia. Com certeza não teria uma foto gigante da cara dele com mensagem subliminar entre as sombrancelhas...
Tchibum dos neurônios
Fiquei quase 3 semanas sem correr. Não vou aqui inventar nenhuma desculpa. Foi preguiça. Começou com uma inflamaçãozinha no coxis, mas já melhorei há muito tempo. Era preguiça. Não era a chuva. Nem o frio.Era preguiça mesmo, que se instalou e ficou. Ontem dei um chute na bunda dela e corri 50 min. Direto. Hoje os músculos da perna estão reclamando, mas em compensação Tom e Jerry nadam na endorfina...
domingo, 19 de julho de 2009
Pirata
Só um adendo ao último post. Eu sei que dá pra baixar o filme "de grátis". Ou comprar o DVD pirata na 25 de março. Só que eu acho que a locação no formato como o da Saraiva tem tudo pra dar certo. Com a música é mais complicado porque a gente quer estocar a faixa, ouvir várias vezes, tocar no carro, no mp3, etc. O filme a gente assiste e pronto. Eu pelo menos. Não gosto de ficar assistindo ao filme várias vezes. É mais barato que o pay-per-view tradicional e que na locadora física.E quem tem banda boa pode aderir sem dor na consciência...
Locadora On-line
Dica pra minha amiga cinéfila que não tem tempo pra nada: Alugar os filmes sem sair de casa na Saraiva: http://www.livrariasaraiva.com.br/digital/home.htm Bom demais isso ai!
sexta-feira, 17 de julho de 2009
Merda por merda...
Tô aqui vendo uns blogs com a Cris. Blogs besteirol. Tem um com mais de 2 milhões de visitas em 1 ano. Piadinhas, fotos engraçadas, videos, fofocas... A maioria tem milhares de seguidores, alguns são muito bem feitos (plasticamente). Parece que todos são interligados e um copia partes de outros que copiam partes de outros, que copiam partes de outros... Conteúdo inútil por conteúdo inútil prefiro minhas 1000 visitas. Visitas dos meus amigos, pessoas que me conhecem e entendem uma parte das minhas loucuras. E as merdas sou eu mesmo que escrevo...
Assinar:
Postagens (Atom)
